Mais de 50 organizações se opõem a projeto que seria etapa da Hidrovia Araguaia-Tocantins

30 de agosto de 2024

Com eventos climáticos extremos mais frequentes, modificação de bacias pode resultar em graves impactos socioambientais e desperdício de recursos públicos bilionários

Indicando uma série de ilegalidades, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação que pede a anulação do licenciamento concedido para a construção de trecho de hidrovia no Pará. A iniciativa foi endossada por pesquisadores em Audiência Pública nesta quarta-feira (28), realizada pela Comissão de Meio Ambiente do Senado. O projeto denominado “Dragagem e Derrocagem da Via Navegável do Rio Tocantins” é uma nova tentativa de viabilizar a Hidrovia Araguaia-Tocantins e acende alerta para organizações em toda a extensão dos rios, que perpassam Pará, Tocantins e Goiás. Mais de 50 organizações da sociedade civil se manifestaram.


O projeto, organizado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), busca facilitar o escoamento de commodities agrícolas e minerais, mas envolve intervenções significativas no leito do rio Tocantins e, conforme ação do MPF, faltou ser  realizada consulta prévia, livre e informada às comunidades que devem ser impactadas, e não houve a demonstração de viabilidade da obra. As intervenções incluem a retirada de bancos de areia (dragagem) e de afloramentos rochosos (derrocagem) ao longo de 560 km, criando um canal de navegação para grandes embarcações e comboios de barcaças. 


No entanto, para avançar com o empreendimento, foram adotados artifícios ilegais e sem embasamento técnico que reduziram artificialmente as “áreas de influência” do projeto. Inicialmente, o empreendimento licenciado era a Hidrovia, mas após mudança de entendimento institucional, a avaliação de impactos ambientais foi restrita apenas às obras propostas, como um fatiamento das licenças ambientais, desconsiderando as consequências da hidrovia como um todo.


Além disso, foram adotados critérios artificiais para o cálculo de abrangência de impactos diretos e indiretos (3 km em caso de comunidades ribeirinhas e 10 km no caso de comunidades indígenas e quilombolas), o que exclui diversas comunidades que realizam atividades tradicionais de pesca e navegação na região.


“O resultado prático de uma avaliação incompleta é a precarização da vida e o empobrecimento das comunidades ribeirinhas. Portanto, a classificação como atividade não impactante jamais poderia ter sido adotada como premissa, pois carece de embasamento técnico e desconsidera a relação inextrincável entre a obra e o aumento do trânsito de embarcações”, explica o Ministério Público Federal na referida ação.


Os impactos potenciais deste empreendimento são alarmantes e abrangem diferentes aspectos. O canal de navegação pode provocar erosão das margens e ilhas, alterar a força, velocidade e direção das correntes, contaminar a água por efluentes e outros danos à qualidade da água. A dragagem e a derrocagem podem afugentar e perturbar o comportamento da ictiofauna, dificultar a recuperação dos estoques pesqueiros (região de lagos, lagoas e berçários naturais) e introduzir espécies exóticas no ecossistema. As mudanças nas rotas de navegação e locais de pesca, somadas ao aumento do esforço pesqueiro, podem reduzir a lucratividade da atividade. Vindo a comprometer toda a cadeia produtiva da pesca.


A pesca artesanal, amadora e o Turismo da Pesca Esportiva no rio Tocantins, são as atividades econômicas mais importantes na região, e qualquer impacto terá repercussões graves sobre a segurança alimentar e nutricional dessas comunidades. A perda e alteração do habitat aquático e a diminuição da atividade pesqueira são consequências esperadas, com magnitude e relevância elevadas.


No mais, diante das mudanças do clima, conforme as previsões de crise hídrica, a navegabilidade do Rio Tocantins pode ser seriamente comprometida, tornando o investimento, que é bilionário, um desperdício de recursos públicos, com os custos recaindo sobre a sociedade e o meio ambiente.


Diante dessa situação, organizações com atuação nos três estados afetados iniciaram mobilização para discutir e divulgar os perigos que esse empreendimento representa, se opondo à continuidade da obra sem os devidos estudos, consultas e licenças que levem em consideração a amplitude dos impactos socioambientais. Desta forma, assinam este posicionamento as seguintes organizações.


Confira a Ação do Ministério Público Federal na íntegra aqui: https://www.mpf.mp.br/pa/sala-de-imprensa/documentos/2024/acp-mpf-anulacao-licenca-derrocamento-pedral-lourenco-1035924-87-2024-4-01-3900.pdf 


A Vida no Cerrado - AVINC

Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins - APA-TO

Articulação dos Povos Indígenas do Tocantins - ARPIT

Articulação Tocantinense de Agroecologia - ATA

Associação Alternativa Terrazul

Associação Brasileira de Antropologia - ABA

Associação da Comunidade Ribeirinha Extrativista Vila Tauiry - ACREVITA

Associação de Amigos do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros - AVE

Associação de Jovens Engajamundo

Associação Indígena Apinajé PYKA MEX

Associação Onça D’água - Tocantins

Associação para Recuperação e Conservação do Ambiente - ARCA

Associação Wyty Catë das Comunidades Timbira do Maranhão e Tocantins

Cáritas Brasileira Regional Norte 2

Centro de Direitos Humanos de Cristalândia Dom Heriberto Hermes - CDHC

Centro de Trabalho Indigenista - CTI

Coalizão Pelos Rios

Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática

Coletivo Goiás Lixo Zero

Coletivo Ideias Urbanas

Colônia de Pescadores de Araguacema - Copesca Z-5

Comissão Pastoral da Terra - Araguaia-Tocantins

Comissão Pastoral da Terra - CPT Pará

Comitê de Defesa da Vida Amazônica na bacia do rio Madeira - COMVIDA

Conselho Indigenista Missionário regional Goiás-Tocantins

Cooperativa de Trabalho de Catadores de Material Reciclável de Bela Vista de Goiás

Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira - COIAB

FASE Amazônia

Instituto Aldeias

Instituto Altair Sales

Instituto de Desenvolvimento Econômico e Socioambiental - IDESA

Instituto EcomAmor

Instituto Madeira Vivo - IMV

Instituto Plantadores de Água

Instituto Pouso Alto

Instituto Santa Dica

Instituto Sociedade, População e Natureza - ISPN

Instituto Zé Claudio e Maria

International Rivers

Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB

Movimento Estadual de Direitos Humanos e Ambientais do Tocantins

Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu - MIQCB

Movimento Sos Cerrado

Movimento SOS Chapada dos Veadeiros

Museu da Águas Brasileiras

Núcleo Rondônia do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental

Observatório de Conflitos Socioambientais do Matopiba

Rede Cerrado

Rede Jandyras

Rede Pouso Alto Agroecologia

Sociedade Ecológica Porto das Antas

SOS RIO Piracanjuba

Territórios Globais - TG


Foto: Antônio Cavalcante/Setran-PA

Redação: AVINAC


Por Angélica Beatriz Corrêa Gonçalves, colaboração Fátima do Socorro Gomes Costa 19 de janeiro de 2026
O QUE A OD VIU NA COP 30? Antes de iniciar essa resposta, é válido creditar os agradecimentos à Aliança Global de Organizações da Sociedade Civil - VAC (Vozes pela Ação Climática Justa ou Voices for Just Climate Action ), por meio da qual a Associação Onça D’água foi selecionada para obtenção das credenciais de acesso desde a COP 28, realizada no ano de 2023. A realização da COP 30 no Brasil, em Belém do Pará, foi sem dúvida um fator determinante para uma ampla participação da OD que esteve representada por cinco de seus associados, em diferentes agendas. A OD presenciou debates, painéis, palestras, manifestações, discussões sobre mecanismos de financiamento climático, direitos dos povos, justiça climática, proteção dos biomas, conservação da biodiversidade, transição ecológica, dentre outros. Dialogou com representantes institucionais, lideranças e organizações. Prestigiou atividades culturais e marchou com os povos pelo Clima. A presença da OD na COP 30 reforça o papel da sociedade civil, de agente ativo, que acompanha e monitora as decisões e políticas de governo, atenta às propostas de soluções para o enfrentamento aos desafios ambientais locais e globais. Algumas das principais agendas que presenciamos serão descritas a seguir. De acordo com o Calendário Temático da COP 30, os dois primeiros dias do evento foram reservados para os assuntos relacionados à “Resiliência e infraestrutura para adaptação”, com foco em: adaptação, cidades, infraestrutura, água, resíduos, governos locais, bioeconomia, economia circular, turismo. Nos dias seguintes, os temas englobaram saúde, educação, cultura, justiça, balanço ético global e responsabilidade moral na governança climática, dentre outros. T emas Políticos na Zona Azul (Território Temporário da ONU - Espaço das negociações oficiais, cúpula de líderes e pavilhões nacionais).  Presenciamos a Mesa “O papel fundamental do combate à fome e à pobreza para a justiça climática" , com a presença da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) Marina Silva e do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, e representantes da Agência Alemanhã de Cooperação Internacional/GIZ. A ministra Marina Silva ressaltou a importância da busca de alternativas para um modelo de desenvolvimento menos insustentável e o Programa Bolsa Família foi mencionado como uma das políticas de sucesso e exemplo para o mundo no combate à fome e à inclusão. No Pavilhão Brasil assistimos a fala do Ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, na Mesa “A mobilização popular no enfrentamento à crise climática” onde defendeu o tratamento aos catadores de resíduos sólidos como agentes ambientais. Na plenária do painel “Atualizações sobre o estado do clima, sustentação das observações da Terra e iniciativas relacionadas - Earth Information Day” assistimos a apresentação sobre o SIPEC (Sistema Inteligente de Previsão de Extremos Climáticos) pela WMO (World Meteorological Organization) e sobre Sistemas integrados de observação e inovações para apoiar a previsão de eventos e Alertas Antecipados para Todos (EW4ALL) pelo pesquisador Paulo Nobre, do Instituto Nacional para Pesquisa Espacial (INPE/Brasil). Ainda nesta Zona Azul, uma delegação do governo do Estado do Tocantins, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH) esteve presente com suas agendas, enfatizando os resultados do discutível e controverso Programa Jurisdicional Redd+.
21 de novembro de 2025
A Conferência do Clima da ONU reuniu delegações de mais de 190 países em Belém, no Pará, para debater caminhos para a crise global. A Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática, rede formada por quinze organizações da sociedade civil, esteve presente e participou de incidências como a Marcha pelo Clima, integrando o bloco do Cerrado, que reuniu organizações com atuação no bioma. Cerca de 70 mil pessoas participaram da caminhada.
13 de outubro de 2025
O jatobá, fruto típico do Cerrado, mas presente também em outros biomas brasileiros, é reconhecido por seu valor nutricional, suas propriedades medicinais, aproveitamento total do fruto e importância ecológica. Sua polpa rica em nutrientes é utilizada em receitas e na medicina popular, enriquecendo a alimentação ao passo em que fortalece a saúde, a bioeconomia e a geração de renda em comunidades agroextrativistas. Com o aproveitamento do jatobá, abundante no Estado do Tocantins, é possível contribuir para a valorização do Cerrado em pé.
14 de agosto de 2025
A sede da Mídia Ninja (Nave Brasília) recebeu o 1º Encontro de Juventudes do Cerrado, entre os dias 11 e 13 de agosto, com participação de 30 jovens de coletivos, organizações e cooperativas em defesa do bioma. Promovido pela Rede Cerrado, Mídia Ninja e Frente Parlamentar Ambientalista, o evento contou com juventudes do Maranhão, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Brasília, Bahia e Tocantins, com representantes da Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática e do GT de Juventudes Rurais do Bico.
17 de julho de 2025
Neste domingo, 20 de julho, quando se celebra também o Dia do Amigo, brasileiras e brasileiros de todas as regiões estão convidados a participar de um momento de conexão com a natureza durante a 8ª edição da campanha Um Dia no Parque, organizada pela Coalizão Pró-UCs. Com o tema “Protegendo o que nos conecta”, o projeto mobiliza Unidades de Conservação (UCs) de todo o país com uma ampla programação de atividades gratuitas.
14 de julho de 2025
Em Aparecida - SP, a professora Vanessa Carolina de Sena Correia, do Instituto Federal do Tocantins (IFTO) - campus Dianópolis, participou do Congresso Brasileiro de Apicultura, onde apresentou o painel intitulado “Atuação da ONG Onça DÁgua no Desenvolvimento da Apicultura e Meliponicultura no Estado do Tocantins”. Em sua exposição, Vanessa destacou as ações realizadas pela Associação Onça D’água, Organização da Sociedade Civil (OSC) que atua na defesa e conservação da biodiversidade por meio de ações de fortalecimento e apoio à implementação de políticas públicas voltadas à gestão e ao manejo de Unidades de Conservação da Natureza no Tocantins. Durante os anos de 2022 e 2023, a Onça D’água desenvolveu o Projeto Rede de Iniciativas Produtivas Sustentáveis em Áreas de Proteção Ambiental, com apoio do Fundo Ecos (à época PPP-ECOS), do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) e do Fundo Amazônia, que teve como objetivo fortalecer grupos organizados e iniciativas produtivas individuais ou coletivas, com foco em suas diversas práticas de agroextrativismo, por meio de capacitações, distribuição de insumos e equipamentos para produção, beneficiamento e comercialização, além de assessoria organizativa. Para a cadeia produtiva do mel a iniciativa capacitou cerca de 150 produtores em apicultura e meliponicultura nas Áreas de Proteção Ambiental (APA) Ilha do Bananal/Cantão, APA Serra do Lajeado e na região das Serras Gerais. Foram contempladas as comunidades do Projeto de Assentamento Manchete (Marianópolis/TO), Projeto de Assentamento 1º de Maio , Acampamento Beatriz Bandeira (Caseara/TO), Projeto de Assentamento Nova Canaã (Araguacema/TO), RPPN Monte Santo (Palmas/TO) e Comunidade Pontinha (Dianópolis), além dos membros da Associação de Criadores de Abelhas de Palmas ACAP, durante a Feira Tecnológica de Agropecuária do Tocantins (Agrotins) em maio de 2023. Além disso, foram implantados seis apiários coletivos, com distribuição de equipamentos como centrífugas, embalagens para envasamento, macacões de proteção, caixas racionais padrão Langstroth, caixas para criação de abelhas sem ferrão, fumegadores e serra circular de bancada para confecção das caixas de madeira, garantindo condições adequadas para a produção e a comercialização do mel a partir dos territórios. Para Vanessa, o projeto representa um importante avanço para a economia local e a sustentabilidade das comunidades envolvidas. “Essas ações geram oportunidades de trabalho e renda, contribuem para a redução da pobreza e valorizam os saberes tradicionais, além de fortalecerem a conservação ambiental no Tocantins”, afirma.
1 de julho de 2025
Entre os dias 20 e 22 de junho, juventudes indígenas, quilombolas, camponesas, universitárias, agricultoras, entre outros grupos, estiveram na Escola Família Agrícola de Porto Nacional para a formação Juventudes por Justiça Climática: Estratégias para adiar o fim do mundo. O evento faz parte do projeto da Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática para fortalecer jovens para os desafios da crise climática.
Por Kiw Assessoria 23 de dezembro de 2024
No último sábado, 21 de dezembro, o Assentamento Onalício Barros e o Acampamento Beatriz Bandeira, localizados em Caseara/TO, na APA Ilha Bananal/Cantão, foram cenário de uma atividade marcante que consolidou as etapas finais do Projeto Jovem Cerrado. Coordenado pela Associação Onça D’água, o projeto promoveu a implementação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) e o fortalecimento de quintais produtivos, valorizando saberes agroecológicos e reafirmando o compromisso com a conservação do Cerrado e a com a produção sustentável das comunidades locais. Caylane Souza, jovem liderança de Porto Nacional, explicou como o SAF pode ser um instrumento de transformação ambiental e social. Ela ressaltou que a técnica possibilita regenerar áreas degradadas e melhorar a qualidade de vida das comunidades. “Com o SAF, recuperamos o solo, enriquecemos a microbiota e transformamos o microclima. É gratificante compartilhar esses conhecimentos com a comunidade, vendo as mudanças concretas que ele proporciona”, aponta. Para Geniffe Kariny, jovem liderança do Assentamento Onalício Barros, a chegada do SAF representa mais do que uma técnica sustentável — é uma forma de repensar a interação com o meio ambiente. Ela destacou o impacto da iniciativa em uma região cercada pelo agronegócio, caracterizada por monocultura em grande escala. “Essa iniciativa traz uma nova forma de interagir com o meio ambiente. Trabalhar em equipe, envolvendo jovens e adultos, reforça o protagonismo comunitário e a consciência ambiental que tanto precisamos”, compartilha. A jovem Nathalia Sales, do Acampamento Beatriz Bandeira, trouxe à tona o papel essencial da juventude no projeto. Ela enfatizou que a vivência prática é um aprendizado que servirá como base para iniciativas futuras. “Com essa vivência, estamos mais confiantes para implementar outras ações no próximo ano. É uma oportunidade de ampliar o impacto do desenvolvimento sustentável em nossa comunidade”, diz. Lidejane Lopes, presidente da Associação de Mulheres Agroextrativistas da APA Cantão (AMA Cantão), compartilhou sua satisfação em ver como o SAF pode trazer resultados concretos mesmo em pequenos espaços. Ela destacou que o sistema é acessível e de alta produtividade, permitindo a organização de diversas culturas, como mangaba, banana, mandioca, açafrão e feijão. “Trabalhar coletivamente foi uma experiência enriquecedora. O SAF mostrou que com organização e baixo custo podemos transformar pequenas áreas em grandes oportunidades”. Já Ana Lúcia Rodrigues, moradora do Assentamento Onalício Barros, presidente da Associação Antonio Francisco Brasil, e militante do MST Tocantins, refletiu sobre como o trabalho coletivo e a prática do SAF trouxeram novas perspectivas para a comunidade. Segundo ela, o aprendizado ajudou a superar medos e encorajou a todos a acreditar na viabilidade da técnica. “Antes, parecia impossível implementar um SAF, mas hoje vimos que, com união, é totalmente viável. A juventude nos inspira e nos dá certeza de que estamos construindo um futuro promissor para todos”, destaca. O evento, realizado na Área de Proteção Ambiental Ilha do Bananal/Cantão, contou com o apoio do Fundo Casa Socioambiental e colaboração da Coalizão Vozes do Tocantins e da AMA Cantão. A iniciativa foi além da técnica, fortalecendo o protagonismo comunitário e destacando a juventude como agentes de transformação.
Por Kiw Assessoria 28 de outubro de 2024
No dia 25 de outubro de 2024, a comunidade do Quilombo do Prata, em São Félix do Tocantins, na região do Jalapão, consolidou o resgate da cultura de aproveitamento de frutos do Cerrado, a partir da Farinhada de Jatobá, reunindo gerações em torno deste que é um dos frutos mais simbólicos e valiosos do Cerrado. A atividade foi coordenada pela família de Darlene, importante liderança local, e contou com a participação da comunidade e de apoiadores institucionais, interessados em vivenciar esse momento de cuidado, cultura e sustentabilidade. O jatobá (Hymenaea courbaril), árvore nativa do Cerrado, é reverenciado não apenas por sua resistência ao clima seco da região, mas também por seu fruto, que possui um alto valor nutritivo e é utilizado em diversas práticas alimentares. A produção da farinha do jatobé é uma tradição mantida pelas famílias em comunidades rurais e representa muito mais do que uma prática econômica: é um ato de resistência e manutenção dos saberes no contexto alimentar e medicinal, que são repassados de geração em geração. A farinha extraída do jatobá é rica em fibras, cálcio e magnésio, tornando-se um alimento fundamental na dieta das comunidades locais. O agroextrativista Zé Mininim, figura muito conhecida pelo manejo do jatobá na região, explica que o fruto vem se tornando um alimento valioso e ganhando espaço em diversas áreas, como na merenda escolar e até em sorveterias. “Sabemos que há potencial para muito mais. É importante promover a educação florestal pois muitos jovens ainda não conhecem a importância do produto. Considero que é uma árvore de grande valor e precisamos incentivar a valorização”, diz. Na oportunidade, a Associação Onça D’água fez a entrega oficial de uma despolpadeira de frutos à Zé Mininim, um equipamento adaptado pelo inventor Enoque Oliveira Freitas para despolpar a farinha do fruto do jatobá, equipamento prático que será um marco na produção desse tipo de farinha, antes processada com uso do pilão de madeira, onde o processo era todo manual e com baixo rendimento. Rejane Nunes, supervisora da Área de Proteção Ambiental (APA) Jalapão aponta que desde que assumiu a gestão em 2015, o extrativismo sustentável tornou-se uma prioridade. “Parte da renda das famílias locais vem da venda dos frutos do Cerrado, e nossa missão é apoiar todas essas famílias. Atuamos por meio da Rede Jalapão, que é uma rede de colaboradores composta por comunitários, instituições e parceiros. Temos sempre um olhar especial para essas comunidades, buscando melhorar a renda, a qualidade de vida e a segurança alimentar”, comenta. Para Darlene Francisca, anfitriã do evento, é gratificante ver que todos estão juntos nessa causa, pois a natureza está se deteriorando e precisa urgentemente de atenção. “Na produção da farinha, fazemos o manejo sustentável. Não colhemos todo o Jatobá, deixando parte dele para que possa crescer mais árvores. Além disso, quando retiramos os caroços, os jogamos de volta na natureza para que novos pés do fruto possam nascer”, manifestou. A jovem liderança Nathália Sales, participou pela segunda vez de uma farinhada, por meio do Projeto JOVEM CERRADO, e destaca que sua primeira experiência foi no Assentamento Onalício Barros, em Caseara/TO. “Através disto, percebemos a valorização dos frutos do Cerrado e a união das pessoas. Isso nos dá mais coragem para implementar nossos projetos no Assentamento de onde venho, em parceria com o Acampamento Beatriz Bandeira. Por lá teremos a horta comunitária, o sistema agroflorestal (SAF), tanques de peixes, apicultura e muitas outras iniciativas que estão sendo desenvolvidas em conjunto. A união das pessoas na Farinhada de Jatobá nos inspira”, diz. A Farinhada de Jatobá foi um momento de integração comunitária, onde jovens, adultos e idosos trabalharam em conjunto, fortalecendo os laços que sustentam a vida. Mais do que uma atividade produtiva, um ritual de comunhão com a natureza e de respeito aos ciclos do Cerrado, mostrando que é possível harmonizar o uso dos recursos naturais com a preservação do bioma. Durante o evento, foram trocadas experiências sobre o manejo sustentável do jatobá e o papel que ele desempenha na segurança alimentar e na economia das comunidades. O manejo extrativista desse fruto não apenas gera renda para as famílias, mas também garante a continuidade das práticas agroextrativistas que protegem o bioma de formas predatórias de exploração. A prática integra a produção alimentar com a proteção ambiental, ressaltando a importância de preservar as áreas naturais ao mesmo tempo em que se utilizam de forma consciente seus recursos. A realização do evento foi da Associação Onça D’água e do Povoado Quilombo do Prata, com o apoio do Fundo Casa Socioambiental, da Coalizão Vozes do Tocantins e da Área de Proteção Ambiental Jalapão (APA Jalapão). Nota: Enoque Oliveira Freitas é inventor e proprietário da empresa Plasnautica, que recicla materiais plásticos para produção de bancos ecológicos, cadeiras escolares, barcos e outros produtos, apoiando a reciclagem no município de Palmas e ajudando na conservação da natureza.
Por Kiw Assessoria 28 de outubro de 2024
No dia 24 de outubro de 2024, o Projeto Jovem Cerrado realizou a 2ª Roda de Conversa e Oficina de Comunicação no Povoado Quilombo do Prata, em São Félix do Tocantins, região do Jalapão. O evento reuniu jovens e lideranças comunitárias para debates e trocas de conhecimento sobre o papel da comunicação como ferramenta essencial para fortalecer as tradições locais e promover a sustentabilidade no Cerrado. Durante o evento, os participantes tiveram a oportunidade de aprender novas formas de comunicação comunitária, explorando maneiras de expressar suas realidades e os desafios enfrentados por suas comunidades. Técnicas de comunicação visual, escrita e uso de redes sociais foram compartilhadas para ajudar a visibilizar temas cruciais para a região, como a preservação ambiental, o agroextrativismo e a valorização das culturas. Gabriela Sousa, jovem liderança do Quilombo do Prata, destacou a relevância do encontro para os jovens locais. "Contamos com a participação de jovens da nossa comunidade e da região em um dia de muito aprendizado. Tivemos momentos de trocas importantes no qual esperamos ter contribuído para a manutenção do Cerrado em pé e sustentabilidade nas comunidades!", ressaltou Gabriela. Caylane Souza, jovem liderança do Projeto Jovem Cerrado, enfatizou o impacto dos jovens na condução de eventos como este: "É muito importante ter esses eventos liderados por jovens, uma vez que a gente pode conscientizar esses jovens e isso acaba beneficiando-os de forma benéfica Esperamos ainda que eles possam estar compartilhando isso em suas comunidades para que surjam novas lideranças para nos acompanhar nessa luta”, diz. Para Fernando Pereira, jovem participante do evento, a experiência foi enriquecedora: "Eu só tenho a gratidão por um momento tão rico e de trocas que são permitidas no cenário que vivemos. O Cerrado é a nossa casa, um ambiente incrível que nos deixa maravilhados com cada oportunidade que ele dá, como frutas valiosas, uma casa para os animais e muitas outras coisas. Mas precisamos cuidar deste bem, respeitando ele e tirando apenas aquilo que ele nos dá”, afirma. O encontro também foi marcado por momentos de diálogo, onde os jovens puderam refletir sobre a importância de dar voz às suas experiências e conhecimentos. As conversas abriram espaço para discutir o futuro das comunidades e como a comunicação pode ser utilizada como uma ferramenta de resistência e transformação social, fortalecendo o engajamento da juventude na proteção do bioma e na manutenção das tradições. Essa ação integra as atividades do Projeto Jovem Cerrado, desenvolvido pela Associação Onça D'água em parceria com os jovens do Assentamento Onalício Barros, Povoado Quilombo do Prata e Acampamento Beatriz Bandeira. O projeto conta com o apoio do Fundo Casa e da Coalizão Vozes do Tocantins.