MUITO ALÉM DA COP 30: O que a Associação Onça D’água (OD) presenciou nas agendas da Conferência das Partes em Belém do Pará e o que isso tem a ver com nosso futuro.

19 de janeiro de 2026

MUITO ALÉM DA COP 30
O que a Associação Onça D’água (OD) presenciou nas agendas da Conferência das Partes 
em Belém do Pará e o que isso tem a ver com nosso futuro.

A experiência de estar em Belém participando da 30ª Conferência das Partes, foi uma atividade desejada e planejada por nós, primeiramente pela curiosidade em compreender a dinâmica e evolução das discussões diplomáticas entre os países signatários e o andamento dos acordos sobre as mudanças climáticas, e, segundo, porque o evento acontecer no Brasil seria um marco para o momento histórico e decisivo frente à crise climática mundial, em processos já tão evidentes e presentes nas vidas de todo o mundo. Queríamos estar lá.

MAS AFINAL, O QUE É ESSA TAL “COP”?
Vamos relembrar que, a partir da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que ocorreu no Rio de Janeiro no ano de 1992 (Rio 92), se consolidou a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e originou as Conferências das Partes (COP) onde os países signatários passaram a se reunir anualmente, a partir de 1995, realizando discussões e firmando acordos globais. Dentre eles, destacam-se o Protocolo de Kyoto (COP 3, ano de 1997), que estabeleceu metas de redução de emissões para países desenvolvidos, e o Acordo de Paris (COP 21,ano de 2015), que propôs esforços conjuntos para limitar o aquecimento global a 1,5°C. Desde então, as COPs passaram a constituir um dos principais fóruns de negociações entre governos, setor privado e sociedade civil, na busca de soluções e compromissos para o enfrentamento aos desafios globais frente aos impactos resultantes das mudanças do clima, onde vem sendo tratados os mais diversos temas, a exemplo do financiamento climático, justiça ambiental, adaptação e mitigação de impactos. 

POR QUE UMA COP NO BRASIL?
A escolha do Brasil para sediar a COP 30 envolveu não somente decisões políticas, já que reflete o reconhecimento internacional do papel estratégico do país nas negociações climáticas e ambientais, mas, pesou a importância ambiental da Amazônia para o equilíbrio climático mundial, esta floresta tropical, a maior do planeta, fundamental para absorção de carbono e manutenção da biodiversidade, o que reforça a importância de políticas de conservação e desenvolvimento com base na sustentabilidade, no contexto global. O Brasil detém boa parte da governança desta floresta, que ocupa uma grande extensão de seu território. 

Por outro lado, devemos considerar também a luta de representantes dos povos amazônidas em mostrar ao mundo que os territórios desta floresta, também são ocupados por pessoas, aliás, as verdadeiras donas dessas áreas. Uma COP na floresta, ainda que em ambiente urbano, possibilitou aos participantes entender quem são os povos que conseguiram manter a natureza ainda viva até chegarmos nesse período tão desafiador para a humanidade. A COP 30 foi sediada em Belém, capital do Estado do Pará, no período de 10 a 21 de novembro de 2025.

O QUE A OD VIU NA COP 30?

Antes de iniciar essa resposta, é válido creditar os agradecimentos à Aliança Global de Organizações da Sociedade Civil - VAC (Vozes pela Ação Climática Justa ou Voices for Just Climate Action), por meio da qual a Associação Onça D’água foi selecionada para obtenção das credenciais de acesso desde a COP 28, realizada no ano de 2023. 


A realização da COP 30 no Brasil, em Belém do Pará, foi sem dúvida um fator determinante para uma ampla participação da OD que esteve representada por cinco de seus associados, em diferentes agendas. A OD presenciou debates, painéis, palestras, manifestações, discussões  sobre mecanismos de financiamento climático, direitos dos povos, justiça climática, proteção dos biomas, conservação da biodiversidade, transição ecológica, dentre outros. Dialogou com representantes institucionais, lideranças e organizações. Prestigiou atividades culturais e marchou com os povos pelo Clima. A presença da OD na COP 30 reforça o papel da sociedade civil, de agente ativo, que acompanha e monitora as decisões e políticas de governo, atenta às propostas de soluções para o enfrentamento aos desafios ambientais locais e globais. Algumas das principais agendas que presenciamos serão descritas a seguir.


De acordo com o Calendário Temático da COP 30, os dois primeiros dias do evento foram reservados para os assuntos relacionados à “Resiliência e infraestrutura para adaptação”, com foco em: adaptação, cidades, infraestrutura, água, resíduos, governos locais, bioeconomia, economia circular, turismo. Nos dias seguintes, os temas englobaram saúde, educação, cultura, justiça, balanço ético global e responsabilidade moral na governança climática, dentre outros.


T
emas Políticos na Zona Azul (Território Temporário da ONU - Espaço das negociações oficiais, cúpula de líderes e pavilhões nacionais).


Presenciamos a Mesa “O papel fundamental do combate à fome e à pobreza para a justiça climática", com a presença da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) Marina Silva e do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, e representantes da Agência Alemanhã de Cooperação Internacional/GIZ. A ministra Marina Silva ressaltou a importância da busca de alternativas para um modelo de desenvolvimento menos insustentável e o Programa Bolsa Família foi mencionado como uma das políticas de sucesso e exemplo para o mundo no combate à fome e à inclusão.


No Pavilhão Brasil assistimos a fala do Ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, na Mesa “A mobilização popular no enfrentamento à crise climática” onde defendeu o tratamento aos catadores de resíduos sólidos como agentes ambientais.


Na plenária do painel “Atualizações sobre o estado do clima, sustentação das observações da Terra e iniciativas relacionadas - Earth Information Day” assistimos a apresentação sobre o SIPEC (Sistema Inteligente de Previsão de Extremos Climáticos) pela WMO (World Meteorological Organization) e sobre Sistemas integrados de observação e inovações para apoiar a previsão de eventos e Alertas Antecipados para Todos (EW4ALL) pelo pesquisador Paulo Nobre, do Instituto Nacional para Pesquisa Espacial (INPE/Brasil). Ainda nesta Zona Azul, uma delegação do governo do Estado do Tocantins, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH)  esteve presente com suas agendas, enfatizando os resultados do discutível e controverso Programa Jurisdicional Redd+. 



Temas estratégicos nos diversos espaços de debates (Zona Verde, Casa Sul Global, Cúpula dos Povos, Agrizone).


Diversas agendas aconteceram em espaços diversificados na cidade de Belém e a estratégia da OD foi priorizar aquelas de maior interesse de acordo com os temas abordados. Na Zona Verde (Espaço público reservado para a sociedade civil, instituições e lideranças globais) prestigiamos a Mesa de apresentação do Levantamento Participativo sobre mudanças climáticas e impactos à saúde Timbira, pelo Centro de Trabalho Indigenista - CTI e Associação Wyty-Catê, ambos membros da Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática, e a Mesa sobre estratégias para o financiamento da transição ecológica, pelo Instituto de Pesquisa em Estudos Culturais e Ambientais Sustentáveis da Amazônia. Assistimos o Painel “Gestão e Fortalecimento da Sociobiodiversidade nas Unidades de Conservação do Estado do Pará” e “As Unidades de Conservação da Natureza no Equilíbrio Climático do Estado do Pará, com ênfase nas Trilhas Ecológicas como estratégia de Conservação e Política Pública e a comunicação institucional e comunitária dessas práticas”.


Na Casa Sul Global (instalado temporariamente no centro de Belém como um espaço de articulação política, mobilização, debates e produção de conhecimento em prol da justiça socioambiental) presenciamos os debates promovidos pela Alianza Socioambiental Fondos del sul (América Latina,  África e Sudeste Asiático), com relatos dos representantes dos fundos e suas experiências. As falas foram principalmente em torno da importância da proximidade com as comunidades com as quais atuam, ressaltando ser este o fator de adaptabilidade para as respostas rápidas aos anseios dessas comunidades que acessam os fundos, uma forma de resistir aos temas prontos vindos de quaisquer instâncias. Reforçaram a lógica das responsabilidades compartilhadas. Parceiros da OD e da Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática, o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN)  e o Fundo Casa Socioambiental, apoiadores da Casa Sul Global na COP 30, também compartilharam suas experiências de apoio e fortalecimento nos territórios.


Na Cúpula dos Povos, instalada no campus da Universidade Federal do Pará, presenciamos manifestações de diferentes movimentos sociais, além de prestigiar nossas companheiras e companheiros tocantinenses da Associação dos Agricultores Familiares - AGROP, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST e do Movimento Atingidos por Barragens - MAB, presentes no evento. Composta e articulada por uma centena de organizações, nacionais e internacionais, a Cúpula dos Povos na COP 30 foi pensada como um marco para o enfrentamento da desigualdade socioambiental e do racismo estrutural, visando o avanço de políticas comuns frente à crise climática, e deixou seu recado na entrega ao presidente da COP 30 e representantes do governo brasileiro, da “Declaração da Cúpula dos Povos rumo à COP 30”, contendo propostas discutidas coletivamente e arrematando com o chamamento: “É tempo de avançar de modo mais organizado, independente e unificado, para aumentar nossa consciência, força e combatividade. Este é o caminho para resistir e vencer. Povos do mundo: Uni-vos”.


Da “Cúpula das Crianças” também partiu uma carta elaborada coletivamente por cerca de 600 crianças e adolescentes, de diferentes territórios da Amazônia e de outras regiões do Brasil, que foi entregue com a seguinte mensagem: “Cuidem do nosso planeta agora. Queremos continuar vivos e vivas. Os adultos devem fazer sua parte, porque estamos fazendo a nossa.

E devem nos ouvir, porque muitas vezes mandam a gente calar a boca quando tentamos falar.”


Na AgriZone, espaço organizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) assistimos as palestras: “Caminhos da Sociobioeconomia: Impacto e Inovação na Amazônia” e a “Agricultura Tropical Regenerativa: Uma Resposta Brasileira à Crise Climática e à Segurança Alimentar Global”,  pela   Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura e o Instituto Clima e Sociedade (iCS), com debates entre setores da indústria e da sociobiodiversidade atuantes em territórios indígenas e comunidades ribeirinhas, discorrendo sobre cooperação, coletividade, liderança de mulheres, valorização do artesanato brasileiro e  agrofloresta baseada em Macaúba.


Ainda neste espaço, o momento mais representativo foi participar do lançamento do livro “Além da COP 30”, organizado pelo deputado federal Pedro Uczai (PT/SC)  e que contém reflexões de mais de 40 autores e autoras, dentre parlamentares, lideranças e pesquisadores, a exemplo de Célia Xakriabá, Naomi Klein, Carlos Nobre, José Marengo, Ernst Götsch e o Grupo de Análise de Conjuntura da CNBB,  que propõe uma leitura integrada sobre os desafios globais, sob a perspectiva da Emergência Climática e Ecologia; da Biodiversidade e Novas Possibilidades Agrícolas e das Energias Renováveis e Florestas Marinhas. De acordo com o deputado, o livro apresenta alternativas concretas para um novo modelo de desenvolvimento baseado na justiça climática e na regeneração da vida, fazendo um chamado à ação coletiva e afirmando que “o tempo da neutralidade acabou”.


Agenda cultural e mais presença tocantinense


Tivemos a satisfação de prestigiar a exposição “Festa do Peixe e da Lontra” do amigo e parceiro tocantinense, o fotógrafo Emerson Silva (Bento), no Centro de Cultura e Turismo Sesc Ver-o-peso, que apresentou a mitologia, crenças e imaginário do povo Krahô.


Na Casa da Sociobioeconomia, promovida pelas organizações Conexus e WWF-Brasil, prestigiamos o painel “Arte e Conservação: Inspirações das Jalapoeiras Apuradas”, protagonizado por artesãs das organizações Associação das Artesãs do Capim Dourado do Quilombo da Mumbuca e Associação Comunitária dos Artesãos e Pequenos Produtores de Mateiros (ACAPPM) e tendo por convidado o arquiteto Marcelo Rosenbaum, do Instituto A Gente Transforma, que juntos falaram sobre criatividade, ancestralidade, renda e conservação do Cerrado no Estado do Tocantins, destacando a força e história de persistência das mulheres do Jalapão.


Nossa anfitriã e o mundo real do enfrentamento aos impactos das mudanças climáticas.


Tivemos o privilégio de sermos recebidos em Ananindeua na residência arquitetonicamente sustentável da Professora e Bióloga Dra.Vania Neu, da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), anfitriã  e colaboradora da OD nesta passagem pela COP 30. Suas pesquisas e projetos são exemplo em práticas alternativas para o saneamento, tratamento da água, saúde e sustentabilidade junto às comunidades ribeirinhas insulares e territórios indígenas em Belém e no Estado do Pará.


Dra. Vania participou de diferentes mesas, como debatedora em “Política Habitacional nas Ilhas do Pará: soluções de saneamento e abastecimento de água sustentável” a convite da Assembleia Legislativa do Pará, e foi painelista para o tema “Vozes do Rio - Os impactos do clima nas atividades produtivas e na saúde das famílias”, convidada pela Universidade Federal do Pará, e também participou do painel “Saneamento e Saúde na Amazônia” no Museu Emílio Goeldi.


A força da Mobilização Popular


Arrematamos a nossa participação na COP 30 nos integrando ao “Bloco do Cerrado” na potente Marcha dos Povos pelo Clima, uma atividade da programação da Cúpula dos Povos e da COP das Baixadas, palco das expressões populares e reivindicações para a construção de um futuro sustentável alicerçado pela justiça climática. Com o tema “Lutar e Resistir contra os predadores da Vida disfarçados de progresso” a marcha teve um percurso de 4km e foi composta por organizações da sociedade civil de todos os biomas, povos e continentes, lideranças populares, representantes governamentais, iniciativa privada, manifestantes autônomos, dentre tantos outros. É possível que tenha reunido cerca de 70 mil participantes, em um movimento intenso, sonoro, impactante, alegre, demonstrando a força da mobilização social e simbolizando o desejo coletivo de barrar a degradação ambiental no planeta.


Em Belém, entendemos a potência de uma reunião global realizada em ambiente democrático, onde a manifestação popular se apresenta como uma significativa “reunião paralela” e, sendo agentes ativos da sociedade civil, e parafraseando o chamado do livro
“Além da COP 30”, retornamos desse evento com a nossa coragem alimentada de esperança e desejosos de que “o que vimos floresça em luta”, porque o futuro é agora!

Nota: Na COP 30 a OD foi componente da delegação da rede Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática, apoiadas pelo Fundo Ecos/ISPN,  World Resources Institute (WRI) e Fundo Casa Socioambiental.



Por Annady Borges • 23 de outubro de 2026
Com a nova composição do Legislativo brasileiro em 2027, ambientalistas e ativistas voltam a atenção para o futuro ambiental do país. Mesmo com a reeleição do atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os novos nomes que compõem o Congresso trazem certo temor àqueles que defendem o meio ambiente. Diante de uma bancada no Congresso dominada, em sua maioria, por partidos da extrema direita, o afrouxamento da legislação ambiental é certeiro. A nova composição terá um recorde de parlamentares contrários às pautas ambientais, o que garante a formação da maioria para a aprovação de projetos. Atualmente, estão em tramitação 41 projetos de lei com potencial de afetar Unidades de Conservação (UCs) federais. As propostas prejudicam parques, reservas e outras categorias de áreas protegidas. Para se ter uma ideia, estão em pauta proposições que dificultam a criação de novas UCs, tentam enfraquecer seu status de proteção e encolhê-las ou até mesmo acabar com elas. Os autores dessas propostas são de quatro partidos: MDB, PSDB, PL e PP. Somente esses partidos possuem 255 deputados, tendo a Casa Legislativa 513 deputados federais ao todo. Com esse número, bastam apenas mais dois para garantir a maioria na aprovação de um projeto. Além disso, no Senado, eles já são 44 das 81 cadeiras disponíveis, sendo 28 somente do PL. Segundo o Observatório do Clima (OC), existem, no mínimo, 25 projetos que atacam UCs específicas, bem como outros 16 que buscam mudar as regras gerais dessas unidades. De acordo com o jornal O Globo, algumas dessas áreas são alvo de mais de uma proposição legislativa. Desse modo, 20 UCs são objeto de ataques diretos de projetos de lei, em 13 estados diferentes. No total, essas áreas somam 7,5 milhões de hectares, o equivalente a 50% do estado do Ceará. Clique no link para ler a reportagem completa. A maior parte das UCs que podem sofrer as consequências mencionadas está na Amazônia, mas ela não é a única floresta afetada. Todos os biomas do país estão no cerco desses projetos. A Associação Onça D’Água atua, principalmente, articulando caminhos e instrumentos que fortaleçam a proteção da biodiversidade contida nas UCs do estado do Tocantins, que são cobertas, em sua maioria, pelo Cerrado e não estão no centro de nenhuma dessas propostas. Porém, precisamos frisar que, quando interferimos no funcionamento desses territórios, afetamos a sociedade como um todo, principalmente comunidades rurais, indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais que dependem dessas regiões para sua sobrevivência. A Onça D’Água acredita e defende que precisamos, mais do que nunca, estar preparados para o que pode vir pela frente, lutando e combatendo todos esses projetos que vão de encontro à destruição da nossa fauna e flora, comprometendo a dinâmica da sociobiodiversidade.
Por Annady Borges • 8 de outubro de 2026
No dia 26 de setembro de 2026, a Onça D’Água esteve com a comunidade do Quilombo Poço Dantas apoiando a realização da primeira farinhada de jatobá na região da Serra Geral. A comunidade está localizada no município de Almas, no Tocantins, e guarda consigo a cultura e as tradições de seus ancestrais. A ação faz parte do projeto “Fortalecendo e Ampliando Iniciativas Produtivas Sustentáveis Desenvolvidas por Comunidades Rurais em Áreas de Proteção Ambiental no Cerrado Tocantinense”, coordenado pela Onça D’Água. Assim que o sol nasceu, as mulheres da comunidade, lideradas por Miguelanes Crisóstomo, liderança do quilombo, já estavam na cozinha preparando o café da manhã para os convidados que estariam presentes mais tarde na farinhada. Após o café, todos se reuniram em roda para prestigiar a apresentação cultural das crianças do projeto Chão de Saberes, com folia e dança da suça. Miguelanes destaca que a comunidade conseguiu uma ampla mobilização do quilombo, das comunidades vizinhas e da própria população de Almas. “Eu tenho certeza que esse momento é muito enriquecedor para nossa comunidade, para os nossos associados. E daqui para frente nós já estamos com essa experiência, e eu tenho certeza que será muito valioso.” O presidente da Associação do Poço Dantas, Aniel Crisóstomo, deu início aos trabalhos com uma fala sobre a importância da farinhada de jatobá como forma de manter vivas as técnicas de produção de seus antepassados. “Temos que manter a nossa cultura, a cultura dos nossos ancestrais, porque, se não preservarmos e valorizarmos, em algum momento isso tudo vai acabar, como a técnica do pilão, da mesa e da roda de farinha, do tapiti”, destacou. Foi a primeira vez que a comunidade teve contato com a produção da farinha de jatobá. Por isso, a Onça D’Água convidou o mestre José Batista dos Santos, conhecido popularmente como Zé Menininho, morador da Fazenda Nova, no Jalapão, para conduzir e instruir todo o processo de produção da farinha. Zé trabalha com o fruto há 20 anos e destacou o trabalho feito pela comunidade. “A produção foi boa, nós produzimos uma grande quantidade. O jatobá daqui já pode sair daqui direto para o mercado, porque é boa a qualidade.” Além de Zé, estiveram conosco nossa parceira Silvana Bastos, responsável pelo Programa de Sociobiodiversidade do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Antônio Carvalho, apicultor do PA Manchete, localizado na Área de Proteção Ambiental (APA) Ilha do Bananal/Cantão, Átila Dias e Deusely Freire e da Associação de Apicultores e Meliponicultores de Almas e Região (APIAM). Para Silvana, a farinhada representa o trabalho coletivo, o protagonismo comunitário e os meios de vida sustentáveis que mantêm o Cerrado em pé. “O ISPN é parceiro dessa luta, a Rede Jatobá representa isso também, de estruturar a cadeia de valor do jatobá no Tocantins, e esse dia é especial para mostrar essa força”, destacou. Na hora de colocar a mão na massa, ou melhor, no jatobá, toda a comunidade se reuniu embaixo de um pé de manga e iniciou a quebrança do jatobá. O primeiro passo da produção é retirar a polpa do fruto de dentro da casca, quebrando-a com um porretinho de madeira. Em seguida, a polpa é pilada no pilão convencional ou pode ser retirada com o uso de uma despolpadeira elétrica, que acelera o processo. Após esse processo, a farinha, ainda em seu estado mais grosso, passa pela peneiragem. Primeiro, ela passa por uma peneira mais grossa e, depois, por uma peneira mais fina, quando finalmente se chega ao produto final. Durante todo esse processo, a comunidade trabalhou em conjunto, com a participação ativa de lideranças, homens, mulheres e crianças, além de nossos parceiros e de seu Zé, que orientou os participantes. Mas não acaba por aí. Após todos esses passos, a farinha ainda é torrada. Antes disso, após uma parada para o almoço e descanso, foi realizada uma roda de conversa com toda a comunidade para ouvir as impressões de quem produziu a farinha pela primeira vez. Em seguida, foi iniciada a torragem da farinha. Os participantes juntaram a lenha, acenderam o fogo e, depois, colocaram a farinha no forno, que é o mesmo utilizado para produção da farinha de mandioca. O processo envolve mexer a farinha com uma pá, em movimentos de vai e vem. Ao final, temos o produto: a farinha de jatobá. Ela pode ser utilizada para fazer diversas receitas, como bolos e pães, além de enriquecer a alimentação escolar quando utilizado em vitaminas e biscoitos. A farinha produzida foi distribuída entre os participantes. Ao todo, foram produzidos cerca de 44 quilos de farinha. Com isso, a Onça D'água concluiu uma das principais atividades contempladas no Projeto “Fortalecendo e Ampliando Iniciativas Produtivas Sustentáveis Desenvolvidas por Comunidades Rurais em Áreas de Proteção Ambiental no Cerrado Tocantinense”, que tem apoio do Fundo Ecos/ISPN/GEF/PNUD.
27 de agosto de 2026
Como os candidatos ao governo do Tocantins se posicionam em relação às Unidades de Conservação da Natureza
Por Angélica Beatriz • 15 de julho de 2026
A programação da campanha UM DIA NO PARQUE acontece neste final de semana, 18 e 19 de julho de 2026.
25 de maio de 2026
Pesquisadora e estudantes do IFTO – Dianópolis apresentaram três trabalhos inéditos em um dos maiores eventos apícolas do Brasil, ampliando o mapa da biodiversidade de abelhas no Tocantins . “A cadeia produtiva do mel e a conservação dos polinizadores nativos caminham juntas — e a ciência produzida aqui no Tocantins comprova isso com dados, campo e rigor” , afirma a Professora Vanessa Carolina de Sena Correia, do Instituto Federal do Tocantins - IFTO Campus Dianópolis, e Diretora Técnica da Associação Onça D’água.
Por Texto de: Angélica Beatriz Corrêa Gonçalves e Mauricio José Alexandre de Araújo - Sócios fundadores da Onça D’água. • 18 de fevereiro de 2026
Como muitos sabem, a Associação Onça D’água (OD) foi concebida a partir de um ideal de conservação do Cerrado que encontrou endosso na amizade e irmandade de um grupo que acreditou na possibilidade de fazer algo a mais pela Natureza do Tocantins. Desde então, decorreram 23 anos de voluntariado, aprendizados e muitas ações, primando pela proteção do Cerrado por meio de ações de conservação e do fortalecimento das comunidades rurais e suas iniciativas produtivas sustentáveis, em especial nos territórios em Unidades de Conservação da Natureza. Nesse contexto, o Parque Estadual do Cantão e a APA Ilha do Bananal/Cantão, ambas unidades localizadas na região oeste do Tocantins, foram inspiração para a Onça D’água (OD), na construção do propósito de conservação da biodiversidade em integração direta e divisão de responsabilidade com as pessoas envolvidas e aliadas da conservação do Cerrado. Mas, existiram outras inspirações, e uma delas, dentre as mais significativas, foi a trajetória do Sr. Allen Putney, um profissional impecável, que posteriormente tornou-se um amigo especial. Com uma vasta experiência em planejamento de áreas protegidas na América Latina (17 países), Allen esteve durante 8 (oito) meses no Tocantins, quando liderou a elaboração do plano de manejo do Parque Estadual do Cantão, entre os anos de 2000 e 2001, e quando tivemos a oportunidade de acompanhá-lo em campo. Nesse período, em sua companhia conhecemos também Lilia Abella Putney, Conselheira Educacional, esposa e parceira nas expedições, e que nos ensinou com sábios conselhos para a vida, a exemplo deste inesquecível: “Trata de hacer lo mellor que pueda sem esperar recognition. Mas facil decir que hacer.. pero asi uno puede seguir adelante”. Com Allen aprendemos sobre qualidade e técnica aprimorada; sobre a seriedade do planejamento e o compromisso com a execução efetiva da coisa planejada; sobre a coerência da gestão em campo, que se deve fazer estando e vivenciado a realidade em campo; sobre a sensibilidade e respeito com todos os interesses envolvidos. No ano de 2025, tivemos a honra e satisfação em acompanhar Allen e Lilia em uma visita ao Parque Estadual do Cantão e seu entorno, passados mais de vinte anos desde que estiveram pela primeira vez no estado. E ainda os acompanhamos em visita ao Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, Piauí, um desejo que Allen ambicionava há anos realizar. Na constituição social da Onça D’água (OD), uma das categorias de sócios é a de “sócio honorário”, assim conceituado: “pessoas físicas ou jurídicas que, pela elaboração ou prestação de relevantes serviços à causa ambiental, fizeram jus à esse título, a critério da diretoria, e ratificado pela assembleia geral” . Na Ata de Assembleia Geral Extraordinária da OD, de 16 de fevereiro de 2003, consta a apresentação da carta de aceitação do Sr. Allen Putney , membro da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza), para ser sócio honorário da Onça D'água (Pág 3), aprovada unanimemente. Compartilhamos esse breve relato com o intuito de demonstrar nosso respeito e admiração pela vida e profissionalismo, dedicados às áreas protegidas, do Sócio Honorário da Associação Onça D’água, Allen Putney, e nosso reconhecimento e gratidão à sua esposa Lilia Abella Putney, pela amizade, sabedoria compartilhada e companheirismo. Que a trajetória de ambos continue sendo uma inspiração para nossas vidas e de todos que se dedicam à fazer algo a mais por um mundo melhor, abraçando as causas socioambientais. Biografia: Allen Putney - Aposentou-se após cinco décadas na área de gestão ambiental, com experiência em planejamento, gestão, capacitação e financiamento sustentável relacionados a recursos naturais. Durante as últimas duas décadas de sua carreira, Allen trabalhou como consultor internacional autônomo, com projetos que incluíram programas internacionais e trabalhos de campo na Mesoamérica e América Latina (17 países), Caribe Insular (25 ilhas), Oriente Médio (2 países), África (2 países) e Sudeste Asiático (1 país). Anteriormente, trabalhou em organizações não governamentais, universidades, organizações das Nações Unidas e agências governamentais. Desde a década de 1980, o Sr. Putney atuou como voluntário na Comissão Mundial de Áreas Protegidas da União Internacional para a Conservação da Natureza (WCPA/UICN), primeiro como Vice-Presidente para o Caribe, depois como Líder da Força-Tarefa sobre os Valores Culturais e Espirituais das Áreas Protegidas e, finalmente, como Vice-Presidente para o Patrimônio Mundial. No Brasil, realizou as seguintes missões: Chefe de Equipe da Consultoria, “Convergência Sustentabilidade Ltda”, para o Desenvolvimento de Modelos Públicos-Privados para o Manejo e Financiamento de Parques Estaduais geridos pelo Naturatins, Estado de Tocantins, Brasil , financiado pelo Banco Mundial (6 meses). Consultor do WWF para recomendar um programa para o financiamento sustentável das Áreas Protegidas da Amazônia, com ênfase no Brasil, Bolívia e Peru (2 meses). Consultor da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza), financiado pela UNESCO, para avaliar o Parque Nacional Chapada dos Veadeiros no Brasil proposto para inclusão na lista de Sítios de Patrimônio da Humanidade (2 semanas). Consultoria para a Secretaria de Planejamento, Tocantins, Brasil, para liderar a elaboração do Plano de Manejo e Plano Financeiro para o Parque Estadual do Cantão com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (8 meses).
21 de novembro de 2025
A Conferência do Clima da ONU reuniu delegações de mais de 190 países em Belém, no Pará, para debater caminhos para a crise global. A Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática, rede formada por quinze organizações da sociedade civil, esteve presente e participou de incidências como a Marcha pelo Clima, integrando o bloco do Cerrado, que reuniu organizações com atuação no bioma. Cerca de 70 mil pessoas participaram da caminhada.
13 de outubro de 2025
O jatobá, fruto típico do Cerrado, mas presente também em outros biomas brasileiros, é reconhecido por seu valor nutricional, suas propriedades medicinais, aproveitamento total do fruto e importância ecológica. Sua polpa rica em nutrientes é utilizada em receitas e na medicina popular, enriquecendo a alimentação ao passo em que fortalece a saúde, a bioeconomia e a geração de renda em comunidades agroextrativistas. Com o aproveitamento do jatobá, abundante no Estado do Tocantins, é possível contribuir para a valorização do Cerrado em pé.
14 de agosto de 2025
A sede da Mídia Ninja (Nave Brasília) recebeu o 1º Encontro de Juventudes do Cerrado, entre os dias 11 e 13 de agosto, com participação de 30 jovens de coletivos, organizações e cooperativas em defesa do bioma. Promovido pela Rede Cerrado, Mídia Ninja e Frente Parlamentar Ambientalista, o evento contou com juventudes do Maranhão, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Brasília, Bahia e Tocantins, com representantes da Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática e do GT de Juventudes Rurais do Bico.
17 de julho de 2025
Neste domingo, 20 de julho, quando se celebra também o Dia do Amigo, brasileiras e brasileiros de todas as regiões estão convidados a participar de um momento de conexão com a natureza durante a 8ª edição da campanha Um Dia no Parque, organizada pela Coalizão Pró-UCs. Com o tema “Protegendo o que nos conecta”, o projeto mobiliza Unidades de Conservação (UCs) de todo o país com uma ampla programação de atividades gratuitas.