MUITO ALÉM DA COP 30: O que a Associação Onça D’água (OD) presenciou nas agendas da Conferência das Partes em Belém do Pará e o que isso tem a ver com nosso futuro.

19 de janeiro de 2026

MUITO ALÉM DA COP 30
O que a Associação Onça D’água (OD) presenciou nas agendas da Conferência das Partes 
em Belém do Pará e o que isso tem a ver com nosso futuro.

A experiência de estar em Belém participando da 30ª Conferência das Partes, foi uma atividade desejada e planejada por nós, primeiramente pela curiosidade em compreender a dinâmica e evolução das discussões diplomáticas entre os países signatários e o andamento dos acordos sobre as mudanças climáticas, e, segundo, porque o evento acontecer no Brasil seria um marco para o momento histórico e decisivo frente à crise climática mundial, em processos já tão evidentes e presentes nas vidas de todo o mundo. Queríamos estar lá.

MAS AFINAL, O QUE É ESSA TAL “COP”?
Vamos relembrar que, a partir da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que ocorreu no Rio de Janeiro no ano de 1992 (Rio 92), se consolidou a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e originou as Conferências das Partes (COP) onde os países signatários passaram a se reunir anualmente, a partir de 1995, realizando discussões e firmando acordos globais. Dentre eles, destacam-se o Protocolo de Kyoto (COP 3, ano de 1997), que estabeleceu metas de redução de emissões para países desenvolvidos, e o Acordo de Paris (COP 21,ano de 2015), que propôs esforços conjuntos para limitar o aquecimento global a 1,5°C. Desde então, as COPs passaram a constituir um dos principais fóruns de negociações entre governos, setor privado e sociedade civil, na busca de soluções e compromissos para o enfrentamento aos desafios globais frente aos impactos resultantes das mudanças do clima, onde vem sendo tratados os mais diversos temas, a exemplo do financiamento climático, justiça ambiental, adaptação e mitigação de impactos. 

POR QUE UMA COP NO BRASIL?
A escolha do Brasil para sediar a COP 30 envolveu não somente decisões políticas, já que reflete o reconhecimento internacional do papel estratégico do país nas negociações climáticas e ambientais, mas, pesou a importância ambiental da Amazônia para o equilíbrio climático mundial, esta floresta tropical, a maior do planeta, fundamental para absorção de carbono e manutenção da biodiversidade, o que reforça a importância de políticas de conservação e desenvolvimento com base na sustentabilidade, no contexto global. O Brasil detém boa parte da governança desta floresta, que ocupa uma grande extensão de seu território. 

Por outro lado, devemos considerar também a luta de representantes dos povos amazônidas em mostrar ao mundo que os territórios desta floresta, também são ocupados por pessoas, aliás, as verdadeiras donas dessas áreas. Uma COP na floresta, ainda que em ambiente urbano, possibilitou aos participantes entender quem são os povos que conseguiram manter a natureza ainda viva até chegarmos nesse período tão desafiador para a humanidade. A COP 30 foi sediada em Belém, capital do Estado do Pará, no período de 10 a 21 de novembro de 2025.

O QUE A OD VIU NA COP 30?

Antes de iniciar essa resposta, é válido creditar os agradecimentos à Aliança Global de Organizações da Sociedade Civil - VAC (Vozes pela Ação Climática Justa ou Voices for Just Climate Action), por meio da qual a Associação Onça D’água foi selecionada para obtenção das credenciais de acesso desde a COP 28, realizada no ano de 2023. 


A realização da COP 30 no Brasil, em Belém do Pará, foi sem dúvida um fator determinante para uma ampla participação da OD que esteve representada por cinco de seus associados, em diferentes agendas. A OD presenciou debates, painéis, palestras, manifestações, discussões  sobre mecanismos de financiamento climático, direitos dos povos, justiça climática, proteção dos biomas, conservação da biodiversidade, transição ecológica, dentre outros. Dialogou com representantes institucionais, lideranças e organizações. Prestigiou atividades culturais e marchou com os povos pelo Clima. A presença da OD na COP 30 reforça o papel da sociedade civil, de agente ativo, que acompanha e monitora as decisões e políticas de governo, atenta às propostas de soluções para o enfrentamento aos desafios ambientais locais e globais. Algumas das principais agendas que presenciamos serão descritas a seguir.


De acordo com o Calendário Temático da COP 30, os dois primeiros dias do evento foram reservados para os assuntos relacionados à “Resiliência e infraestrutura para adaptação”, com foco em: adaptação, cidades, infraestrutura, água, resíduos, governos locais, bioeconomia, economia circular, turismo. Nos dias seguintes, os temas englobaram saúde, educação, cultura, justiça, balanço ético global e responsabilidade moral na governança climática, dentre outros.


T
emas Políticos na Zona Azul (Território Temporário da ONU - Espaço das negociações oficiais, cúpula de líderes e pavilhões nacionais).


Presenciamos a Mesa “O papel fundamental do combate à fome e à pobreza para a justiça climática", com a presença da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) Marina Silva e do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, e representantes da Agência Alemanhã de Cooperação Internacional/GIZ. A ministra Marina Silva ressaltou a importância da busca de alternativas para um modelo de desenvolvimento menos insustentável e o Programa Bolsa Família foi mencionado como uma das políticas de sucesso e exemplo para o mundo no combate à fome e à inclusão.


No Pavilhão Brasil assistimos a fala do Ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, na Mesa “A mobilização popular no enfrentamento à crise climática” onde defendeu o tratamento aos catadores de resíduos sólidos como agentes ambientais.


Na plenária do painel “Atualizações sobre o estado do clima, sustentação das observações da Terra e iniciativas relacionadas - Earth Information Day” assistimos a apresentação sobre o SIPEC (Sistema Inteligente de Previsão de Extremos Climáticos) pela WMO (World Meteorological Organization) e sobre Sistemas integrados de observação e inovações para apoiar a previsão de eventos e Alertas Antecipados para Todos (EW4ALL) pelo pesquisador Paulo Nobre, do Instituto Nacional para Pesquisa Espacial (INPE/Brasil). Ainda nesta Zona Azul, uma delegação do governo do Estado do Tocantins, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH)  esteve presente com suas agendas, enfatizando os resultados do discutível e controverso Programa Jurisdicional Redd+. 



Temas estratégicos nos diversos espaços de debates (Zona Verde, Casa Sul Global, Cúpula dos Povos, Agrizone).


Diversas agendas aconteceram em espaços diversificados na cidade de Belém e a estratégia da OD foi priorizar aquelas de maior interesse de acordo com os temas abordados. Na Zona Verde (Espaço público reservado para a sociedade civil, instituições e lideranças globais) prestigiamos a Mesa de apresentação do Levantamento Participativo sobre mudanças climáticas e impactos à saúde Timbira, pelo Centro de Trabalho Indigenista - CTI e Associação Wyty-Catê, ambos membros da Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática, e a Mesa sobre estratégias para o financiamento da transição ecológica, pelo Instituto de Pesquisa em Estudos Culturais e Ambientais Sustentáveis da Amazônia. Assistimos o Painel “Gestão e Fortalecimento da Sociobiodiversidade nas Unidades de Conservação do Estado do Pará” e “As Unidades de Conservação da Natureza no Equilíbrio Climático do Estado do Pará, com ênfase nas Trilhas Ecológicas como estratégia de Conservação e Política Pública e a comunicação institucional e comunitária dessas práticas”.


Na Casa Sul Global (instalado temporariamente no centro de Belém como um espaço de articulação política, mobilização, debates e produção de conhecimento em prol da justiça socioambiental) presenciamos os debates promovidos pela Alianza Socioambiental Fondos del sul (América Latina,  África e Sudeste Asiático), com relatos dos representantes dos fundos e suas experiências. As falas foram principalmente em torno da importância da proximidade com as comunidades com as quais atuam, ressaltando ser este o fator de adaptabilidade para as respostas rápidas aos anseios dessas comunidades que acessam os fundos, uma forma de resistir aos temas prontos vindos de quaisquer instâncias. Reforçaram a lógica das responsabilidades compartilhadas. Parceiros da OD e da Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática, o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN)  e o Fundo Casa Socioambiental, apoiadores da Casa Sul Global na COP 30, também compartilharam suas experiências de apoio e fortalecimento nos territórios.


Na Cúpula dos Povos, instalada no campus da Universidade Federal do Pará, presenciamos manifestações de diferentes movimentos sociais, além de prestigiar nossas companheiras e companheiros tocantinenses da Associação dos Agricultores Familiares - AGROP, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST e do Movimento Atingidos por Barragens - MAB, presentes no evento. Composta e articulada por uma centena de organizações, nacionais e internacionais, a Cúpula dos Povos na COP 30 foi pensada como um marco para o enfrentamento da desigualdade socioambiental e do racismo estrutural, visando o avanço de políticas comuns frente à crise climática, e deixou seu recado na entrega ao presidente da COP 30 e representantes do governo brasileiro, da “Declaração da Cúpula dos Povos rumo à COP 30”, contendo propostas discutidas coletivamente e arrematando com o chamamento: “É tempo de avançar de modo mais organizado, independente e unificado, para aumentar nossa consciência, força e combatividade. Este é o caminho para resistir e vencer. Povos do mundo: Uni-vos”.


Da “Cúpula das Crianças” também partiu uma carta elaborada coletivamente por cerca de 600 crianças e adolescentes, de diferentes territórios da Amazônia e de outras regiões do Brasil, que foi entregue com a seguinte mensagem: “Cuidem do nosso planeta agora. Queremos continuar vivos e vivas. Os adultos devem fazer sua parte, porque estamos fazendo a nossa.

E devem nos ouvir, porque muitas vezes mandam a gente calar a boca quando tentamos falar.”


Na AgriZone, espaço organizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) assistimos as palestras: “Caminhos da Sociobioeconomia: Impacto e Inovação na Amazônia” e a “Agricultura Tropical Regenerativa: Uma Resposta Brasileira à Crise Climática e à Segurança Alimentar Global”,  pela   Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura e o Instituto Clima e Sociedade (iCS), com debates entre setores da indústria e da sociobiodiversidade atuantes em territórios indígenas e comunidades ribeirinhas, discorrendo sobre cooperação, coletividade, liderança de mulheres, valorização do artesanato brasileiro e  agrofloresta baseada em Macaúba.


Ainda neste espaço, o momento mais representativo foi participar do lançamento do livro “Além da COP 30”, organizado pelo deputado federal Pedro Uczai (PT/SC)  e que contém reflexões de mais de 40 autores e autoras, dentre parlamentares, lideranças e pesquisadores, a exemplo de Célia Xakriabá, Naomi Klein, Carlos Nobre, José Marengo, Ernst Götsch e o Grupo de Análise de Conjuntura da CNBB,  que propõe uma leitura integrada sobre os desafios globais, sob a perspectiva da Emergência Climática e Ecologia; da Biodiversidade e Novas Possibilidades Agrícolas e das Energias Renováveis e Florestas Marinhas. De acordo com o deputado, o livro apresenta alternativas concretas para um novo modelo de desenvolvimento baseado na justiça climática e na regeneração da vida, fazendo um chamado à ação coletiva e afirmando que “o tempo da neutralidade acabou”.


Agenda cultural e mais presença tocantinense


Tivemos a satisfação de prestigiar a exposição “Festa do Peixe e da Lontra” do amigo e parceiro tocantinense, o fotógrafo Emerson Silva (Bento), no Centro de Cultura e Turismo Sesc Ver-o-peso, que apresentou a mitologia, crenças e imaginário do povo Krahô.


Na Casa da Sociobioeconomia, promovida pelas organizações Conexus e WWF-Brasil, prestigiamos o painel “Arte e Conservação: Inspirações das Jalapoeiras Apuradas”, protagonizado por artesãs das organizações Associação das Artesãs do Capim Dourado do Quilombo da Mumbuca e Associação Comunitária dos Artesãos e Pequenos Produtores de Mateiros (ACAPPM) e tendo por convidado o arquiteto Marcelo Rosenbaum, do Instituto A Gente Transforma, que juntos falaram sobre criatividade, ancestralidade, renda e conservação do Cerrado no Estado do Tocantins, destacando a força e história de persistência das mulheres do Jalapão.


Nossa anfitriã e o mundo real do enfrentamento aos impactos das mudanças climáticas.


Tivemos o privilégio de sermos recebidos em Ananindeua na residência arquitetonicamente sustentável da Professora e Bióloga Dra.Vania Neu, da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), anfitriã  e colaboradora da OD nesta passagem pela COP 30. Suas pesquisas e projetos são exemplo em práticas alternativas para o saneamento, tratamento da água, saúde e sustentabilidade junto às comunidades ribeirinhas insulares e territórios indígenas em Belém e no Estado do Pará.


Dra. Vania participou de diferentes mesas, como debatedora em “Política Habitacional nas Ilhas do Pará: soluções de saneamento e abastecimento de água sustentável” a convite da Assembleia Legislativa do Pará, e foi painelista para o tema “Vozes do Rio - Os impactos do clima nas atividades produtivas e na saúde das famílias”, convidada pela Universidade Federal do Pará, e também participou do painel “Saneamento e Saúde na Amazônia” no Museu Emílio Goeldi.


A força da Mobilização Popular


Arrematamos a nossa participação na COP 30 nos integrando ao “Bloco do Cerrado” na potente Marcha dos Povos pelo Clima, uma atividade da programação da Cúpula dos Povos e da COP das Baixadas, palco das expressões populares e reivindicações para a construção de um futuro sustentável alicerçado pela justiça climática. Com o tema “Lutar e Resistir contra os predadores da Vida disfarçados de progresso” a marcha teve um percurso de 4km e foi composta por organizações da sociedade civil de todos os biomas, povos e continentes, lideranças populares, representantes governamentais, iniciativa privada, manifestantes autônomos, dentre tantos outros. É possível que tenha reunido cerca de 70 mil participantes, em um movimento intenso, sonoro, impactante, alegre, demonstrando a força da mobilização social e simbolizando o desejo coletivo de barrar a degradação ambiental no planeta.


Em Belém, entendemos a potência de uma reunião global realizada em ambiente democrático, onde a manifestação popular se apresenta como uma significativa “reunião paralela” e, sendo agentes ativos da sociedade civil, e parafraseando o chamado do livro
“Além da COP 30”, retornamos desse evento com a nossa coragem alimentada de esperança e desejosos de que “o que vimos floresça em luta”, porque o futuro é agora!

Nota: Na COP 30 a OD foi componente da delegação da rede Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática, apoiadas pelo Fundo Ecos/ISPN,  World Resources Institute (WRI) e Fundo Casa Socioambiental.



21 de novembro de 2025
A Conferência do Clima da ONU reuniu delegações de mais de 190 países em Belém, no Pará, para debater caminhos para a crise global. A Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática, rede formada por quinze organizações da sociedade civil, esteve presente e participou de incidências como a Marcha pelo Clima, integrando o bloco do Cerrado, que reuniu organizações com atuação no bioma. Cerca de 70 mil pessoas participaram da caminhada.
13 de outubro de 2025
O jatobá, fruto típico do Cerrado, mas presente também em outros biomas brasileiros, é reconhecido por seu valor nutricional, suas propriedades medicinais, aproveitamento total do fruto e importância ecológica. Sua polpa rica em nutrientes é utilizada em receitas e na medicina popular, enriquecendo a alimentação ao passo em que fortalece a saúde, a bioeconomia e a geração de renda em comunidades agroextrativistas. Com o aproveitamento do jatobá, abundante no Estado do Tocantins, é possível contribuir para a valorização do Cerrado em pé.
14 de agosto de 2025
A sede da Mídia Ninja (Nave Brasília) recebeu o 1º Encontro de Juventudes do Cerrado, entre os dias 11 e 13 de agosto, com participação de 30 jovens de coletivos, organizações e cooperativas em defesa do bioma. Promovido pela Rede Cerrado, Mídia Ninja e Frente Parlamentar Ambientalista, o evento contou com juventudes do Maranhão, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Brasília, Bahia e Tocantins, com representantes da Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática e do GT de Juventudes Rurais do Bico.
17 de julho de 2025
Neste domingo, 20 de julho, quando se celebra também o Dia do Amigo, brasileiras e brasileiros de todas as regiões estão convidados a participar de um momento de conexão com a natureza durante a 8ª edição da campanha Um Dia no Parque, organizada pela Coalizão Pró-UCs. Com o tema “Protegendo o que nos conecta”, o projeto mobiliza Unidades de Conservação (UCs) de todo o país com uma ampla programação de atividades gratuitas.
14 de julho de 2025
Em Aparecida - SP, a professora Vanessa Carolina de Sena Correia, do Instituto Federal do Tocantins (IFTO) - campus Dianópolis, participou do Congresso Brasileiro de Apicultura, onde apresentou o painel intitulado “Atuação da ONG Onça DÁgua no Desenvolvimento da Apicultura e Meliponicultura no Estado do Tocantins”. Em sua exposição, Vanessa destacou as ações realizadas pela Associação Onça D’água, Organização da Sociedade Civil (OSC) que atua na defesa e conservação da biodiversidade por meio de ações de fortalecimento e apoio à implementação de políticas públicas voltadas à gestão e ao manejo de Unidades de Conservação da Natureza no Tocantins. Durante os anos de 2022 e 2023, a Onça D’água desenvolveu o Projeto Rede de Iniciativas Produtivas Sustentáveis em Áreas de Proteção Ambiental, com apoio do Fundo Ecos (à época PPP-ECOS), do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) e do Fundo Amazônia, que teve como objetivo fortalecer grupos organizados e iniciativas produtivas individuais ou coletivas, com foco em suas diversas práticas de agroextrativismo, por meio de capacitações, distribuição de insumos e equipamentos para produção, beneficiamento e comercialização, além de assessoria organizativa. Para a cadeia produtiva do mel a iniciativa capacitou cerca de 150 produtores em apicultura e meliponicultura nas Áreas de Proteção Ambiental (APA) Ilha do Bananal/Cantão, APA Serra do Lajeado e na região das Serras Gerais. Foram contempladas as comunidades do Projeto de Assentamento Manchete (Marianópolis/TO), Projeto de Assentamento 1º de Maio , Acampamento Beatriz Bandeira (Caseara/TO), Projeto de Assentamento Nova Canaã (Araguacema/TO), RPPN Monte Santo (Palmas/TO) e Comunidade Pontinha (Dianópolis), além dos membros da Associação de Criadores de Abelhas de Palmas ACAP, durante a Feira Tecnológica de Agropecuária do Tocantins (Agrotins) em maio de 2023. Além disso, foram implantados seis apiários coletivos, com distribuição de equipamentos como centrífugas, embalagens para envasamento, macacões de proteção, caixas racionais padrão Langstroth, caixas para criação de abelhas sem ferrão, fumegadores e serra circular de bancada para confecção das caixas de madeira, garantindo condições adequadas para a produção e a comercialização do mel a partir dos territórios. Para Vanessa, o projeto representa um importante avanço para a economia local e a sustentabilidade das comunidades envolvidas. “Essas ações geram oportunidades de trabalho e renda, contribuem para a redução da pobreza e valorizam os saberes tradicionais, além de fortalecerem a conservação ambiental no Tocantins”, afirma.
1 de julho de 2025
Entre os dias 20 e 22 de junho, juventudes indígenas, quilombolas, camponesas, universitárias, agricultoras, entre outros grupos, estiveram na Escola Família Agrícola de Porto Nacional para a formação Juventudes por Justiça Climática: Estratégias para adiar o fim do mundo. O evento faz parte do projeto da Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática para fortalecer jovens para os desafios da crise climática.
Por Kiw Assessoria 23 de dezembro de 2024
No último sábado, 21 de dezembro, o Assentamento Onalício Barros e o Acampamento Beatriz Bandeira, localizados em Caseara/TO, na APA Ilha Bananal/Cantão, foram cenário de uma atividade marcante que consolidou as etapas finais do Projeto Jovem Cerrado. Coordenado pela Associação Onça D’água, o projeto promoveu a implementação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) e o fortalecimento de quintais produtivos, valorizando saberes agroecológicos e reafirmando o compromisso com a conservação do Cerrado e a com a produção sustentável das comunidades locais. Caylane Souza, jovem liderança de Porto Nacional, explicou como o SAF pode ser um instrumento de transformação ambiental e social. Ela ressaltou que a técnica possibilita regenerar áreas degradadas e melhorar a qualidade de vida das comunidades. “Com o SAF, recuperamos o solo, enriquecemos a microbiota e transformamos o microclima. É gratificante compartilhar esses conhecimentos com a comunidade, vendo as mudanças concretas que ele proporciona”, aponta. Para Geniffe Kariny, jovem liderança do Assentamento Onalício Barros, a chegada do SAF representa mais do que uma técnica sustentável — é uma forma de repensar a interação com o meio ambiente. Ela destacou o impacto da iniciativa em uma região cercada pelo agronegócio, caracterizada por monocultura em grande escala. “Essa iniciativa traz uma nova forma de interagir com o meio ambiente. Trabalhar em equipe, envolvendo jovens e adultos, reforça o protagonismo comunitário e a consciência ambiental que tanto precisamos”, compartilha. A jovem Nathalia Sales, do Acampamento Beatriz Bandeira, trouxe à tona o papel essencial da juventude no projeto. Ela enfatizou que a vivência prática é um aprendizado que servirá como base para iniciativas futuras. “Com essa vivência, estamos mais confiantes para implementar outras ações no próximo ano. É uma oportunidade de ampliar o impacto do desenvolvimento sustentável em nossa comunidade”, diz. Lidejane Lopes, presidente da Associação de Mulheres Agroextrativistas da APA Cantão (AMA Cantão), compartilhou sua satisfação em ver como o SAF pode trazer resultados concretos mesmo em pequenos espaços. Ela destacou que o sistema é acessível e de alta produtividade, permitindo a organização de diversas culturas, como mangaba, banana, mandioca, açafrão e feijão. “Trabalhar coletivamente foi uma experiência enriquecedora. O SAF mostrou que com organização e baixo custo podemos transformar pequenas áreas em grandes oportunidades”. Já Ana Lúcia Rodrigues, moradora do Assentamento Onalício Barros, presidente da Associação Antonio Francisco Brasil, e militante do MST Tocantins, refletiu sobre como o trabalho coletivo e a prática do SAF trouxeram novas perspectivas para a comunidade. Segundo ela, o aprendizado ajudou a superar medos e encorajou a todos a acreditar na viabilidade da técnica. “Antes, parecia impossível implementar um SAF, mas hoje vimos que, com união, é totalmente viável. A juventude nos inspira e nos dá certeza de que estamos construindo um futuro promissor para todos”, destaca. O evento, realizado na Área de Proteção Ambiental Ilha do Bananal/Cantão, contou com o apoio do Fundo Casa Socioambiental e colaboração da Coalizão Vozes do Tocantins e da AMA Cantão. A iniciativa foi além da técnica, fortalecendo o protagonismo comunitário e destacando a juventude como agentes de transformação.
Por Kiw Assessoria 28 de outubro de 2024
No dia 25 de outubro de 2024, a comunidade do Quilombo do Prata, em São Félix do Tocantins, na região do Jalapão, consolidou o resgate da cultura de aproveitamento de frutos do Cerrado, a partir da Farinhada de Jatobá, reunindo gerações em torno deste que é um dos frutos mais simbólicos e valiosos do Cerrado. A atividade foi coordenada pela família de Darlene, importante liderança local, e contou com a participação da comunidade e de apoiadores institucionais, interessados em vivenciar esse momento de cuidado, cultura e sustentabilidade. O jatobá (Hymenaea courbaril), árvore nativa do Cerrado, é reverenciado não apenas por sua resistência ao clima seco da região, mas também por seu fruto, que possui um alto valor nutritivo e é utilizado em diversas práticas alimentares. A produção da farinha do jatobé é uma tradição mantida pelas famílias em comunidades rurais e representa muito mais do que uma prática econômica: é um ato de resistência e manutenção dos saberes no contexto alimentar e medicinal, que são repassados de geração em geração. A farinha extraída do jatobá é rica em fibras, cálcio e magnésio, tornando-se um alimento fundamental na dieta das comunidades locais. O agroextrativista Zé Mininim, figura muito conhecida pelo manejo do jatobá na região, explica que o fruto vem se tornando um alimento valioso e ganhando espaço em diversas áreas, como na merenda escolar e até em sorveterias. “Sabemos que há potencial para muito mais. É importante promover a educação florestal pois muitos jovens ainda não conhecem a importância do produto. Considero que é uma árvore de grande valor e precisamos incentivar a valorização”, diz. Na oportunidade, a Associação Onça D’água fez a entrega oficial de uma despolpadeira de frutos à Zé Mininim, um equipamento adaptado pelo inventor Enoque Oliveira Freitas para despolpar a farinha do fruto do jatobá, equipamento prático que será um marco na produção desse tipo de farinha, antes processada com uso do pilão de madeira, onde o processo era todo manual e com baixo rendimento. Rejane Nunes, supervisora da Área de Proteção Ambiental (APA) Jalapão aponta que desde que assumiu a gestão em 2015, o extrativismo sustentável tornou-se uma prioridade. “Parte da renda das famílias locais vem da venda dos frutos do Cerrado, e nossa missão é apoiar todas essas famílias. Atuamos por meio da Rede Jalapão, que é uma rede de colaboradores composta por comunitários, instituições e parceiros. Temos sempre um olhar especial para essas comunidades, buscando melhorar a renda, a qualidade de vida e a segurança alimentar”, comenta. Para Darlene Francisca, anfitriã do evento, é gratificante ver que todos estão juntos nessa causa, pois a natureza está se deteriorando e precisa urgentemente de atenção. “Na produção da farinha, fazemos o manejo sustentável. Não colhemos todo o Jatobá, deixando parte dele para que possa crescer mais árvores. Além disso, quando retiramos os caroços, os jogamos de volta na natureza para que novos pés do fruto possam nascer”, manifestou. A jovem liderança Nathália Sales, participou pela segunda vez de uma farinhada, por meio do Projeto JOVEM CERRADO, e destaca que sua primeira experiência foi no Assentamento Onalício Barros, em Caseara/TO. “Através disto, percebemos a valorização dos frutos do Cerrado e a união das pessoas. Isso nos dá mais coragem para implementar nossos projetos no Assentamento de onde venho, em parceria com o Acampamento Beatriz Bandeira. Por lá teremos a horta comunitária, o sistema agroflorestal (SAF), tanques de peixes, apicultura e muitas outras iniciativas que estão sendo desenvolvidas em conjunto. A união das pessoas na Farinhada de Jatobá nos inspira”, diz. A Farinhada de Jatobá foi um momento de integração comunitária, onde jovens, adultos e idosos trabalharam em conjunto, fortalecendo os laços que sustentam a vida. Mais do que uma atividade produtiva, um ritual de comunhão com a natureza e de respeito aos ciclos do Cerrado, mostrando que é possível harmonizar o uso dos recursos naturais com a preservação do bioma. Durante o evento, foram trocadas experiências sobre o manejo sustentável do jatobá e o papel que ele desempenha na segurança alimentar e na economia das comunidades. O manejo extrativista desse fruto não apenas gera renda para as famílias, mas também garante a continuidade das práticas agroextrativistas que protegem o bioma de formas predatórias de exploração. A prática integra a produção alimentar com a proteção ambiental, ressaltando a importância de preservar as áreas naturais ao mesmo tempo em que se utilizam de forma consciente seus recursos. A realização do evento foi da Associação Onça D’água e do Povoado Quilombo do Prata, com o apoio do Fundo Casa Socioambiental, da Coalizão Vozes do Tocantins e da Área de Proteção Ambiental Jalapão (APA Jalapão). Nota: Enoque Oliveira Freitas é inventor e proprietário da empresa Plasnautica, que recicla materiais plásticos para produção de bancos ecológicos, cadeiras escolares, barcos e outros produtos, apoiando a reciclagem no município de Palmas e ajudando na conservação da natureza.
Por Kiw Assessoria 28 de outubro de 2024
No dia 24 de outubro de 2024, o Projeto Jovem Cerrado realizou a 2ª Roda de Conversa e Oficina de Comunicação no Povoado Quilombo do Prata, em São Félix do Tocantins, região do Jalapão. O evento reuniu jovens e lideranças comunitárias para debates e trocas de conhecimento sobre o papel da comunicação como ferramenta essencial para fortalecer as tradições locais e promover a sustentabilidade no Cerrado. Durante o evento, os participantes tiveram a oportunidade de aprender novas formas de comunicação comunitária, explorando maneiras de expressar suas realidades e os desafios enfrentados por suas comunidades. Técnicas de comunicação visual, escrita e uso de redes sociais foram compartilhadas para ajudar a visibilizar temas cruciais para a região, como a preservação ambiental, o agroextrativismo e a valorização das culturas. Gabriela Sousa, jovem liderança do Quilombo do Prata, destacou a relevância do encontro para os jovens locais. "Contamos com a participação de jovens da nossa comunidade e da região em um dia de muito aprendizado. Tivemos momentos de trocas importantes no qual esperamos ter contribuído para a manutenção do Cerrado em pé e sustentabilidade nas comunidades!", ressaltou Gabriela. Caylane Souza, jovem liderança do Projeto Jovem Cerrado, enfatizou o impacto dos jovens na condução de eventos como este: "É muito importante ter esses eventos liderados por jovens, uma vez que a gente pode conscientizar esses jovens e isso acaba beneficiando-os de forma benéfica Esperamos ainda que eles possam estar compartilhando isso em suas comunidades para que surjam novas lideranças para nos acompanhar nessa luta”, diz. Para Fernando Pereira, jovem participante do evento, a experiência foi enriquecedora: "Eu só tenho a gratidão por um momento tão rico e de trocas que são permitidas no cenário que vivemos. O Cerrado é a nossa casa, um ambiente incrível que nos deixa maravilhados com cada oportunidade que ele dá, como frutas valiosas, uma casa para os animais e muitas outras coisas. Mas precisamos cuidar deste bem, respeitando ele e tirando apenas aquilo que ele nos dá”, afirma. O encontro também foi marcado por momentos de diálogo, onde os jovens puderam refletir sobre a importância de dar voz às suas experiências e conhecimentos. As conversas abriram espaço para discutir o futuro das comunidades e como a comunicação pode ser utilizada como uma ferramenta de resistência e transformação social, fortalecendo o engajamento da juventude na proteção do bioma e na manutenção das tradições. Essa ação integra as atividades do Projeto Jovem Cerrado, desenvolvido pela Associação Onça D'água em parceria com os jovens do Assentamento Onalício Barros, Povoado Quilombo do Prata e Acampamento Beatriz Bandeira. O projeto conta com o apoio do Fundo Casa e da Coalizão Vozes do Tocantins.
Por Kiw Assessoria 22 de outubro de 2024
No dia 19 de outubro de 2024, foi realizada a Farinhada de Jatobá no Assentamento Onalício Barros, em Caseara - TO. O evento contou com a participação da juventude do Projeto Jovem Cerrado, apoiados pela Associação Onça D'água, que apoia a gestão de Unidades de Conservação no Tocantins, e da Associação de Mulheres Agroextrativistas do Cantão (Ama Cantão). A atividade valoriza a prática do agroextrativismo, ressaltando a sabedoria ancestral e a segurança alimentar, com foco na conservação do Cerrado. O jatobá é utilizado no processamento de alimentos devido ao seu valor nutricional, se destacando no enriquecimento de bolos, pães, biscoitos e vitaminas, contribuindo para a alimentação natural e saudável. Para Lidejane Lopes, presidente da Ama Cantão, o momento representa um cuidado essencial com a árvore do jatobá, vital para o bioma local. Ela destacou o potencial econômico do jatobá, que beneficia mulheres rurais e jovens interessados na preservação do Cerrado. "Queremos manter o Cerrado em pé e mostrar que outras frutas também têm valor. É possível trabalhar em conjunto, unindo esforços com todos os parceiros", afirmou. A presidente agradeceu aos parceiros que tornam o evento possível, a Associação Onça D’água, o Fundo Casa Socioambiental e a Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática. Agradece especialmente a presença do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). "A valorização dos frutos do Cerrado é importante para gerar renda e fortalecer as comunidades. Esta é a segunda farinhada no Onalicio Barros, e pretendemos realizá-la anualmente, formando uma rede de pessoas que se importam com o meio ambiente", acrescentou. Ana Lúcia Rodrigues, presidente da Associação Antônio Francisco Brasil e militante do Movimento Sem Terra (MST), também apontou a importância da farinhada. "Agradecemos aos parceiros por estarem presentes. É gratificante receber a farinhada aqui, pois isso motiva mulheres extrativistas e a juventude a se unirem na luta pela proteção do Cerrado", afirmou. A militante destacou que cuidar da natureza é uma responsabilidade coletiva. "Se não cuidarmos, tudo pode acabar, especialmente o Cerrado. A farinhada do jatobá oferece benefícios nutricionais e promove uma alimentação saudável, que estamos introduzindo em nossas vidas e ensinando às nossas crianças. Nossos parceiros contribuem para fortalecer as comunidades e a base para o cuidado do Cerrado", completou. A jovem Geniffe Kariny, representante do Projeto Jovem Cerrado, expressou satisfação em participar do evento. "Estamos na Farinhada de Jatobá, que é uma oportunidade de troca de experiências entre jovens, mulheres e adultos. É valioso compartilhar momentos como este", disse Genife, destacando a importância da união entre as gerações para a preservação dos saberes do Cerrado.  A Farinhada de Jatobá, além de valorizar os conhecimentos tradicionais na produção da farinha, conta com o apoio de diversas organizações, como o Fundo Casa Socioambiental, a Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática, a APA Ilha do Bananal/Cantão. A iniciativa destacou o fortalecimento comunitário e a valorização das práticas sustentáveis, fundamentais para a preservação dos recursos naturais e para a autonomia alimentar das famílias do assentamento.