Sistema de Unidades de Conservação do Tocantins completa 17 anos
13 de janeiro de 2023
SEUC completa aniversário com o desafio de resolver as questões fundiárias e implantar alternativas socioeconômicas viáveis naquelas áreas destinadas ao uso sustentável
ANGÉLICA BEATRIZ CORRÊA GONÇALVES · FÁTIMA DO SOCORRO GOMES COSTA · MAURICIO JOSÉ ALEXANDRE DE ARAÚJO
ANGÉLICA BEATRIZ CORRÊA GONÇALVES · FÁTIMA DO SOCORRO GOMES COSTA · MAURICIO JOSÉ ALEXANDRE DE ARAÚJO
Instrumento legal de estímulo à proteção da biodiversidade, o Sistema Estadual de Unidades de Conservação da Natureza do Estado do Tocantins (SEUC) chega ao seu 17º ano em 05 de Abril de 2022, comemorando as Unidades de Conservação (UC) já criadas, porém, permanecendo com o dever de resolver as questões fundiárias, implantar alternativas socioeconômicas viáveis naquelas áreas destinadas ao uso sustentável, bem como a ordenação dos serviços de Uso Público onde o turismo se destaca ou tem potencial, questões complexas e que precisam encontrar soluções que passem pelo bem estar das comunidades envolvidas, atores chaves na proteção dos ambientes naturais resguardados nas Unidades de Conservação.
Embora o SEUC tenha sido instituído no ano de 2005, abrangendo as unidades estaduais e municipais, o estado iniciou a criação de suas unidades já no ano de 1997, criando três Áreas de Proteção Ambiental (APA): APA Serra do Lajeado, APA da Foz do Rio Santa Tereza e APA da Ilha do Bananal/Cantão, culminando com as últimas UC estaduais criadas, o Parque Estadual do Lajeado e o Parque Estadual do Jalapão, no ano de 2001.
Atualmente o Tocantins tem, no domínio estadual, três parques, nove áreas de proteção ambiental (APA) e um monumento natural. No domínio municipal são quatro áreas de proteção ambiental (APA), um parque e dois monumentos naturais, sendo um deles o Monumento Natural Serra de Natividade, criado no ano de 2018, último ano em que uma UC foi criada no âmbito do SEUC.
Além das unidades de conservação das esferas estadual e municipal, no território tocantinense existem também as unidades de conservação de domínio federal, regidas por instrumento próprio, o SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), com a primeira delas criada no ano de 1959, o emblemático Parque Nacional do Araguaia, na Ilha do Bananal. Quando somadas as UC criadas no Estado do Tocantins, de domínio federal, estadual e municipal, temos uma área protegida que totaliza 2.566.816,1169 há ou, 9,24% da área total do Tocantins, pertencente ao grupo de Uso Sustentável (uso direto dos recursos naturais). Já as unidades de conservação do grupo de Proteção Integral (uso indireto dos recursos naturais) representam 5,78% do total, ou 1.605.846,9476 ha.
Dessa forma, somados os dois grupos, as unidades de conservação da natureza abrangem 15,02% da área total do Tocantins, protegendo majoritariamente ambientes do bioma Cerrado e, em menor parte, ambientes de transição entre Cerrado e Amazônia, e Cerrado e Caatinga, totalizando 10,15% sob a égide do SEUC.
Desafios de gestão
Ao longo desses 17 anos fica claro o quão importante tem sido lutar pela manutenção desses ambientes, dado o avanço do desmatamento e comprometimento do Bioma Cerrado. Apesar de sua resiliência, o Cerrado sofre as agruras do avanço da fronteira agrícola, dos impactos dos incêndios florestais e da perda de espécies e hábitats pelos mais variados motivos.
Todo o esforço já dedicado para manter essas áreas protegidas ainda carece de muitas conquistas institucionais no sentido de promover, por exemplo, um quadro técnico efetivo e permanente de servidores necessários à gestão do sistema, em especial aqueles dedicados às atividades diretas de gestão, manejo e proteção desse patrimônio ambiental. Outra demanda relevante passa pela necessidade de regularização fundiária dos três parques (Cantão, Jalapão e Lajeado) e do Monumento Natural das Árvores Fossilizadas, criados há mais de 20 anos, situação que agrava e limita a implementação dessas unidades, a exemplo de ações efetivas de proteção.
Alia-se a esta demanda a necessidade constante de promover práticas econômicas alternativas que visem estimular as populações residentes ou do entorno a desenvolver atividades que incrementem suas rendas, gerando o menor impacto ao ambiente natural.
Nesse sentido, pesa ao estado a reversão de um processo malsucedido de implantação de concessão de serviços no âmbito dos programas de uso público dos parques estaduais e do monumento natural, que foi equivocadamente confundido com “privatização de parques”. Processo esse que, uma vez conduzido em conformidade com as normas e a devida transparência, poderia garantir não só a proteção dos ambientes utilizados como atrativo turístico nas UC, mas também teria o potencial de promover a geração de renda local por meio do ordenamento qualificado do turismo.
E nesta conta de demandas, é importante ressaltar as unidades não criadas, embora seus estudos e consultas públicas tenham sido realizadas entre os anos de 2010 a 2014. São elas: o Monumento Natural da Serra da Cangalha, que iria proteger um fenômeno natural de uma cicatriz no solo formada pela queda de um meteoro, no município de Campos Lindos, na região nordeste; e o Parque Estadual Águas de Paranã, no sudeste, planejado para resguardar a região de mais alto relevo do estado, característica de cerrado rupestre e divisor de águas na fronteira de Tocantins e Goiás. Com proposta de criação aprovada junto ao Conselho Estadual de Meio Ambiente (COEMA), havia uma terceira unidade a ser criada na região do Vale do Rio Palmeira, visando contribuir com a proteção de uma importante bacia hidrográfica, além de remanescentes de mata seca, um dos ecossistemas mais ameaçados no país. Faltou determinação política para efetivar esses processos que seguem ausentes das pautas institucionais.
Apesar da importância de comemorar o montante protegido, vale destacar que muito ainda está por fazer, e que o Estado peca ao não priorizar a gestão efetiva de algumas dessas áreas, especialmente as APAs, que além de trazer possibilidades de gestão socioambiental para as regiões contempladas geraria segurança jurídica para as pessoas residentes que se sentem afetadas.
A esperança que nunca morre
Embora o Brasil passe em tempos recentes por diversas fragilidades ambientais, com desmonte de políticas públicas de extrema importância para a conservação da natureza, não podemos e não devemos perder a nossa animosidade em relação à efetiva proteção das nossas unidades de conservação, primando pela manutenção e fortalecimento do nosso fragilizado mas relevante e histórico SEUC.
Nesta data comemorativa reforçamos o chamado aos tocantinenses para conhecer e cuidar das UC, acreditando que a atuação permanente da sociedade civil atenta e vigilante é fundamental para que se façam cumprir os objetivos de criação das Unidades de Conservação da Natureza, das quais somos os maiores beneficiários, mesmo que muitos não saibam disso.
OBS: As informações sobre todas as Unidades de Conservação da Natureza do Tocantins são públicas. Todas as pessoas interessadas podem saber mais sobre elas acessando o link http://gesto.to.gov.br/ E para conhecer mais ainda sobre a localização das Unidades de Conservação da Natureza e outras áreas protegidas, por exemplo, as Terras Indígenas, acesse outro link público que é: https://www.to.gov.br/seplan/areas-de-uso-legal-restrito/24mbxairz33x.
Apoiam esse movimento:
ASSOCIAÇÃO ONÇA D’ÁGUA – De apoio à Gestão e ao Manejo das Unidades de Conservação da Natureza do Tocantins. Há 19 anos voluntariando pela proteção do Cerrado aoncadagua@gmail.com
ATOBIO – Associação Tocantinense dos Biólogos. Há 12 anos contribuindo e propondo soluções alternativas às questões ambientais do Estado atobio2010@gmail.com
(Repostagem de matéria publicada em O Eco, em 5/4/2022)

Com a nova composição do Legislativo brasileiro em 2027, ambientalistas e ativistas voltam a atenção para o futuro ambiental do país. Mesmo com a reeleição do atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os novos nomes que compõem o Congresso trazem certo temor àqueles que defendem o meio ambiente. Diante de uma bancada no Congresso dominada, em sua maioria, por partidos da extrema direita, o afrouxamento da legislação ambiental é certeiro. A nova composição terá um recorde de parlamentares contrários às pautas ambientais, o que garante a formação da maioria para a aprovação de projetos. Atualmente, estão em tramitação 41 projetos de lei com potencial de afetar Unidades de Conservação (UCs) federais. As propostas prejudicam parques, reservas e outras categorias de áreas protegidas. Para se ter uma ideia, estão em pauta proposições que dificultam a criação de novas UCs, tentam enfraquecer seu status de proteção e encolhê-las ou até mesmo acabar com elas. Os autores dessas propostas são de quatro partidos: MDB, PSDB, PL e PP. Somente esses partidos possuem 255 deputados, tendo a Casa Legislativa 513 deputados federais ao todo. Com esse número, bastam apenas mais dois para garantir a maioria na aprovação de um projeto. Além disso, no Senado, eles já são 44 das 81 cadeiras disponíveis, sendo 28 somente do PL. Segundo o Observatório do Clima (OC), existem, no mínimo, 25 projetos que atacam UCs específicas, bem como outros 16 que buscam mudar as regras gerais dessas unidades. De acordo com o jornal O Globo, algumas dessas áreas são alvo de mais de uma proposição legislativa. Desse modo, 20 UCs são objeto de ataques diretos de projetos de lei, em 13 estados diferentes. No total, essas áreas somam 7,5 milhões de hectares, o equivalente a 50% do estado do Ceará. Clique no link para ler a reportagem completa. A maior parte das UCs que podem sofrer as consequências mencionadas está na Amazônia, mas ela não é a única floresta afetada. Todos os biomas do país estão no cerco desses projetos. A Associação Onça D’Água atua, principalmente, articulando caminhos e instrumentos que fortaleçam a proteção da biodiversidade contida nas UCs do estado do Tocantins, que são cobertas, em sua maioria, pelo Cerrado e não estão no centro de nenhuma dessas propostas. Porém, precisamos frisar que, quando interferimos no funcionamento desses territórios, afetamos a sociedade como um todo, principalmente comunidades rurais, indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais que dependem dessas regiões para sua sobrevivência. A Onça D’Água acredita e defende que precisamos, mais do que nunca, estar preparados para o que pode vir pela frente, lutando e combatendo todos esses projetos que vão de encontro à destruição da nossa fauna e flora, comprometendo a dinâmica da sociobiodiversidade.
No dia 26 de setembro de 2026, a Onça D’Água esteve com a comunidade do Quilombo Poço Dantas apoiando a realização da primeira farinhada de jatobá na região da Serra Geral. A comunidade está localizada no município de Almas, no Tocantins, e guarda consigo a cultura e as tradições de seus ancestrais. A ação faz parte do projeto “Fortalecendo e Ampliando Iniciativas Produtivas Sustentáveis Desenvolvidas por Comunidades Rurais em Áreas de Proteção Ambiental no Cerrado Tocantinense”, coordenado pela Onça D’Água. Assim que o sol nasceu, as mulheres da comunidade, lideradas por Miguelanes Crisóstomo, liderança do quilombo, já estavam na cozinha preparando o café da manhã para os convidados que estariam presentes mais tarde na farinhada. Após o café, todos se reuniram em roda para prestigiar a apresentação cultural das crianças do projeto Chão de Saberes, com folia e dança da suça. Miguelanes destaca que a comunidade conseguiu uma ampla mobilização do quilombo, das comunidades vizinhas e da própria população de Almas. “Eu tenho certeza que esse momento é muito enriquecedor para nossa comunidade, para os nossos associados. E daqui para frente nós já estamos com essa experiência, e eu tenho certeza que será muito valioso.” O presidente da Associação do Poço Dantas, Aniel Crisóstomo, deu início aos trabalhos com uma fala sobre a importância da farinhada de jatobá como forma de manter vivas as técnicas de produção de seus antepassados. “Temos que manter a nossa cultura, a cultura dos nossos ancestrais, porque, se não preservarmos e valorizarmos, em algum momento isso tudo vai acabar, como a técnica do pilão, da mesa e da roda de farinha, do tapiti”, destacou. Foi a primeira vez que a comunidade teve contato com a produção da farinha de jatobá. Por isso, a Onça D’Água convidou o mestre José Batista dos Santos, conhecido popularmente como Zé Menininho, morador da Fazenda Nova, no Jalapão, para conduzir e instruir todo o processo de produção da farinha. Zé trabalha com o fruto há 20 anos e destacou o trabalho feito pela comunidade. “A produção foi boa, nós produzimos uma grande quantidade. O jatobá daqui já pode sair daqui direto para o mercado, porque é boa a qualidade.” Além de Zé, estiveram conosco nossa parceira Silvana Bastos, responsável pelo Programa de Sociobiodiversidade do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Antônio Carvalho, apicultor do PA Manchete, localizado na Área de Proteção Ambiental (APA) Ilha do Bananal/Cantão, Átila Dias e Deusely Freire e da Associação de Apicultores e Meliponicultores de Almas e Região (APIAM). Para Silvana, a farinhada representa o trabalho coletivo, o protagonismo comunitário e os meios de vida sustentáveis que mantêm o Cerrado em pé. “O ISPN é parceiro dessa luta, a Rede Jatobá representa isso também, de estruturar a cadeia de valor do jatobá no Tocantins, e esse dia é especial para mostrar essa força”, destacou. Na hora de colocar a mão na massa, ou melhor, no jatobá, toda a comunidade se reuniu embaixo de um pé de manga e iniciou a quebrança do jatobá. O primeiro passo da produção é retirar a polpa do fruto de dentro da casca, quebrando-a com um porretinho de madeira. Em seguida, a polpa é pilada no pilão convencional ou pode ser retirada com o uso de uma despolpadeira elétrica, que acelera o processo. Após esse processo, a farinha, ainda em seu estado mais grosso, passa pela peneiragem. Primeiro, ela passa por uma peneira mais grossa e, depois, por uma peneira mais fina, quando finalmente se chega ao produto final. Durante todo esse processo, a comunidade trabalhou em conjunto, com a participação ativa de lideranças, homens, mulheres e crianças, além de nossos parceiros e de seu Zé, que orientou os participantes. Mas não acaba por aí. Após todos esses passos, a farinha ainda é torrada. Antes disso, após uma parada para o almoço e descanso, foi realizada uma roda de conversa com toda a comunidade para ouvir as impressões de quem produziu a farinha pela primeira vez. Em seguida, foi iniciada a torragem da farinha. Os participantes juntaram a lenha, acenderam o fogo e, depois, colocaram a farinha no forno, que é o mesmo utilizado para produção da farinha de mandioca. O processo envolve mexer a farinha com uma pá, em movimentos de vai e vem. Ao final, temos o produto: a farinha de jatobá. Ela pode ser utilizada para fazer diversas receitas, como bolos e pães, além de enriquecer a alimentação escolar quando utilizado em vitaminas e biscoitos. A farinha produzida foi distribuída entre os participantes. Ao todo, foram produzidos cerca de 44 quilos de farinha. Com isso, a Onça D'água concluiu uma das principais atividades contempladas no Projeto “Fortalecendo e Ampliando Iniciativas Produtivas Sustentáveis Desenvolvidas por Comunidades Rurais em Áreas de Proteção Ambiental no Cerrado Tocantinense”, que tem apoio do Fundo Ecos/ISPN/GEF/PNUD.

Pesquisadora e estudantes do IFTO – Dianópolis apresentaram três trabalhos inéditos em um dos maiores eventos apícolas do Brasil, ampliando o mapa da biodiversidade de abelhas no Tocantins . “A cadeia produtiva do mel e a conservação dos polinizadores nativos caminham juntas — e a ciência produzida aqui no Tocantins comprova isso com dados, campo e rigor” , afirma a Professora Vanessa Carolina de Sena Correia, do Instituto Federal do Tocantins - IFTO Campus Dianópolis, e Diretora Técnica da Associação Onça D’água.

Como muitos sabem, a Associação Onça D’água (OD) foi concebida a partir de um ideal de conservação do Cerrado que encontrou endosso na amizade e irmandade de um grupo que acreditou na possibilidade de fazer algo a mais pela Natureza do Tocantins. Desde então, decorreram 23 anos de voluntariado, aprendizados e muitas ações, primando pela proteção do Cerrado por meio de ações de conservação e do fortalecimento das comunidades rurais e suas iniciativas produtivas sustentáveis, em especial nos territórios em Unidades de Conservação da Natureza. Nesse contexto, o Parque Estadual do Cantão e a APA Ilha do Bananal/Cantão, ambas unidades localizadas na região oeste do Tocantins, foram inspiração para a Onça D’água (OD), na construção do propósito de conservação da biodiversidade em integração direta e divisão de responsabilidade com as pessoas envolvidas e aliadas da conservação do Cerrado. Mas, existiram outras inspirações, e uma delas, dentre as mais significativas, foi a trajetória do Sr. Allen Putney, um profissional impecável, que posteriormente tornou-se um amigo especial. Com uma vasta experiência em planejamento de áreas protegidas na América Latina (17 países), Allen esteve durante 8 (oito) meses no Tocantins, quando liderou a elaboração do plano de manejo do Parque Estadual do Cantão, entre os anos de 2000 e 2001, e quando tivemos a oportunidade de acompanhá-lo em campo. Nesse período, em sua companhia conhecemos também Lilia Abella Putney, Conselheira Educacional, esposa e parceira nas expedições, e que nos ensinou com sábios conselhos para a vida, a exemplo deste inesquecível: “Trata de hacer lo mellor que pueda sem esperar recognition. Mas facil decir que hacer.. pero asi uno puede seguir adelante”. Com Allen aprendemos sobre qualidade e técnica aprimorada; sobre a seriedade do planejamento e o compromisso com a execução efetiva da coisa planejada; sobre a coerência da gestão em campo, que se deve fazer estando e vivenciado a realidade em campo; sobre a sensibilidade e respeito com todos os interesses envolvidos. No ano de 2025, tivemos a honra e satisfação em acompanhar Allen e Lilia em uma visita ao Parque Estadual do Cantão e seu entorno, passados mais de vinte anos desde que estiveram pela primeira vez no estado. E ainda os acompanhamos em visita ao Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, Piauí, um desejo que Allen ambicionava há anos realizar. Na constituição social da Onça D’água (OD), uma das categorias de sócios é a de “sócio honorário”, assim conceituado: “pessoas físicas ou jurídicas que, pela elaboração ou prestação de relevantes serviços à causa ambiental, fizeram jus à esse título, a critério da diretoria, e ratificado pela assembleia geral” . Na Ata de Assembleia Geral Extraordinária da OD, de 16 de fevereiro de 2003, consta a apresentação da carta de aceitação do Sr. Allen Putney , membro da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza), para ser sócio honorário da Onça D'água (Pág 3), aprovada unanimemente. Compartilhamos esse breve relato com o intuito de demonstrar nosso respeito e admiração pela vida e profissionalismo, dedicados às áreas protegidas, do Sócio Honorário da Associação Onça D’água, Allen Putney, e nosso reconhecimento e gratidão à sua esposa Lilia Abella Putney, pela amizade, sabedoria compartilhada e companheirismo. Que a trajetória de ambos continue sendo uma inspiração para nossas vidas e de todos que se dedicam à fazer algo a mais por um mundo melhor, abraçando as causas socioambientais. Biografia: Allen Putney - Aposentou-se após cinco décadas na área de gestão ambiental, com experiência em planejamento, gestão, capacitação e financiamento sustentável relacionados a recursos naturais. Durante as últimas duas décadas de sua carreira, Allen trabalhou como consultor internacional autônomo, com projetos que incluíram programas internacionais e trabalhos de campo na Mesoamérica e América Latina (17 países), Caribe Insular (25 ilhas), Oriente Médio (2 países), África (2 países) e Sudeste Asiático (1 país). Anteriormente, trabalhou em organizações não governamentais, universidades, organizações das Nações Unidas e agências governamentais. Desde a década de 1980, o Sr. Putney atuou como voluntário na Comissão Mundial de Áreas Protegidas da União Internacional para a Conservação da Natureza (WCPA/UICN), primeiro como Vice-Presidente para o Caribe, depois como Líder da Força-Tarefa sobre os Valores Culturais e Espirituais das Áreas Protegidas e, finalmente, como Vice-Presidente para o Patrimônio Mundial. No Brasil, realizou as seguintes missões: Chefe de Equipe da Consultoria, “Convergência Sustentabilidade Ltda”, para o Desenvolvimento de Modelos Públicos-Privados para o Manejo e Financiamento de Parques Estaduais geridos pelo Naturatins, Estado de Tocantins, Brasil , financiado pelo Banco Mundial (6 meses). Consultor do WWF para recomendar um programa para o financiamento sustentável das Áreas Protegidas da Amazônia, com ênfase no Brasil, Bolívia e Peru (2 meses). Consultor da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza), financiado pela UNESCO, para avaliar o Parque Nacional Chapada dos Veadeiros no Brasil proposto para inclusão na lista de Sítios de Patrimônio da Humanidade (2 semanas). Consultoria para a Secretaria de Planejamento, Tocantins, Brasil, para liderar a elaboração do Plano de Manejo e Plano Financeiro para o Parque Estadual do Cantão com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (8 meses).

O QUE A OD VIU NA COP 30? Antes de iniciar essa resposta, é válido creditar os agradecimentos à Aliança Global de Organizações da Sociedade Civil - VAC (Vozes pela Ação Climática Justa ou Voices for Just Climate Action ), por meio da qual a Associação Onça D’água foi selecionada para obtenção das credenciais de acesso desde a COP 28, realizada no ano de 2023. A realização da COP 30 no Brasil, em Belém do Pará, foi sem dúvida um fator determinante para uma ampla participação da OD que esteve representada por cinco de seus associados, em diferentes agendas. A OD presenciou debates, painéis, palestras, manifestações, discussões sobre mecanismos de financiamento climático, direitos dos povos, justiça climática, proteção dos biomas, conservação da biodiversidade, transição ecológica, dentre outros. Dialogou com representantes institucionais, lideranças e organizações. Prestigiou atividades culturais e marchou com os povos pelo Clima. A presença da OD na COP 30 reforça o papel da sociedade civil, de agente ativo, que acompanha e monitora as decisões e políticas de governo, atenta às propostas de soluções para o enfrentamento aos desafios ambientais locais e globais. Algumas das principais agendas que presenciamos serão descritas a seguir. De acordo com o Calendário Temático da COP 30, os dois primeiros dias do evento foram reservados para os assuntos relacionados à “Resiliência e infraestrutura para adaptação”, com foco em: adaptação, cidades, infraestrutura, água, resíduos, governos locais, bioeconomia, economia circular, turismo. Nos dias seguintes, os temas englobaram saúde, educação, cultura, justiça, balanço ético global e responsabilidade moral na governança climática, dentre outros. T emas Políticos na Zona Azul (Território Temporário da ONU - Espaço das negociações oficiais, cúpula de líderes e pavilhões nacionais). Presenciamos a Mesa “O papel fundamental do combate à fome e à pobreza para a justiça climática" , com a presença da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) Marina Silva e do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, e representantes da Agência Alemanhã de Cooperação Internacional/GIZ. A ministra Marina Silva ressaltou a importância da busca de alternativas para um modelo de desenvolvimento menos insustentável e o Programa Bolsa Família foi mencionado como uma das políticas de sucesso e exemplo para o mundo no combate à fome e à inclusão. No Pavilhão Brasil assistimos a fala do Ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, na Mesa “A mobilização popular no enfrentamento à crise climática” onde defendeu o tratamento aos catadores de resíduos sólidos como agentes ambientais. Na plenária do painel “Atualizações sobre o estado do clima, sustentação das observações da Terra e iniciativas relacionadas - Earth Information Day” assistimos a apresentação sobre o SIPEC (Sistema Inteligente de Previsão de Extremos Climáticos) pela WMO (World Meteorological Organization) e sobre Sistemas integrados de observação e inovações para apoiar a previsão de eventos e Alertas Antecipados para Todos (EW4ALL) pelo pesquisador Paulo Nobre, do Instituto Nacional para Pesquisa Espacial (INPE/Brasil). Ainda nesta Zona Azul, uma delegação do governo do Estado do Tocantins, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH) esteve presente com suas agendas, enfatizando os resultados do discutível e controverso Programa Jurisdicional Redd+.

A Conferência do Clima da ONU reuniu delegações de mais de 190 países em Belém, no Pará, para debater caminhos para a crise global. A Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática, rede formada por quinze organizações da sociedade civil, esteve presente e participou de incidências como a Marcha pelo Clima, integrando o bloco do Cerrado, que reuniu organizações com atuação no bioma. Cerca de 70 mil pessoas participaram da caminhada.

O jatobá, fruto típico do Cerrado, mas presente também em outros biomas brasileiros, é reconhecido por seu valor nutricional, suas propriedades medicinais, aproveitamento total do fruto e importância ecológica. Sua polpa rica em nutrientes é utilizada em receitas e na medicina popular, enriquecendo a alimentação ao passo em que fortalece a saúde, a bioeconomia e a geração de renda em comunidades agroextrativistas. Com o aproveitamento do jatobá, abundante no Estado do Tocantins, é possível contribuir para a valorização do Cerrado em pé.

A sede da Mídia Ninja (Nave Brasília) recebeu o 1º Encontro de Juventudes do Cerrado, entre os dias 11 e 13 de agosto, com participação de 30 jovens de coletivos, organizações e cooperativas em defesa do bioma. Promovido pela Rede Cerrado, Mídia Ninja e Frente Parlamentar Ambientalista, o evento contou com juventudes do Maranhão, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Brasília, Bahia e Tocantins, com representantes da Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática e do GT de Juventudes Rurais do Bico.




